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Em 14 anos, Rio Acre vai “apartar” no verão

Estimativa é prevista em estudo da Ufac

Olhando o Rio Acre com o nível tão baixo, assusta. E quando se busca respostas nas estatísticas, para esse comportamento, descobre-se que a situação é mais grave ainda. Um estudo do professor da Universidade Federal do Acre, Evandro Ferreira, doutor em Botânica, aponta que entre os anos de 2031 e 2040 o leito do Rio Acre vai secar nos períodos de estiagem.

A pesquisa se baseia no ritmo do rio desde 1971 quando começaram a medir as cotas mínimas e máximas.
Entre 1971 e 1980, a média do nível do Rio Acre era 3,16 metros. Na década seguinte, 1981 a 1990, caiu 2% indo para 3,10m. Já entre 1991 e 2000 mil, a queda chegou a 16%, com a média baixando para 2,60m. Entre 2001 e 2010, foi para 2,08m, uma diminuição de 20%.

Se mantiver esse percentual de 20% até 2020, a média é que a cota mínima fique em um metro. Na década seguinte, serão 40 centímetros e entre 2031 e 2040 ele secará. “Se tudo se mantiver como está, essa é a triste realidade do rio que abastece o Alto e o Baixo Acre. A cada ano que passa a situação fica mais crítica”, disse.

Imagens de satélite apontam um dos motivos para escassez de água no rio Acre: A água das chuvas não chega ao manancial como antes. Agora ficam nos açudes em propriedades rurais. Os igarapés ficam com águas represadas ou tiveram as nascentes aterradas.

“Além disso, o desmatamento nas margens do rio ajuda a deixá-lo cada vez mais raso com o assoreamento. A vegetação está sendo destruída, ela poderia proteger o rio. E o pior é que pouca coisa pode ser feita para evitar que o Rio Acre possa secar e trazer um caos para o abastecimento das cidades”, anunciou.

As áreas de preservação permanente do Rio Acre estão destruídas de forma violenta. Na Bolívia e no Peru, onde o rio corta várias cidades, o desmatamento é de 15% das áreas de APP. Do lado brasileiro, no estado do Amazonas é de 28% e no Acre 32%.

Municípios como Senador Guiomard hoje tem 69% de sua área desmatada, Epitaciolândia 53% e Capixaba 49%. “Sem vegetação, com as queimadas e poluição, principalmente, do gás carbônico, temos o crescimento do aquecimento global que ajuda ainda mais a destruir o meio ambiente”, diz o pesquisador.

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