Em um ano, número de pessoas infectadas por HIV no Acre aumentou em mais de 50%

Nos últimos sete anos, 1.633 pessoas no estado foram diagnosticadas com o vírus causador da Aids

Por Luanna Lins, para Agazeta.net

Dados da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) mostram que nos últimos sete anos, 1.633 pessoas, no Acre, foram diagnosticadas com o vírus HIV, causador da síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). De um ano para outro, o volume de novos casos oscilou bastante. Em 2018, houveram 293 novos registros. Em 2019, foram 249. Para 2020, a queda foi expressiva: 188 novos casos positivos. Já em 2021, os números subiram para 284 casos, com um aumento de 51%.

Esse comportamento pode ser explicado porque, em 2020, por causa da pandemia, as unidades de Saúde dos municípios não realizavam testagens. Ou seja, as pessoas estavam infectadas, mas só descobriram a condição sorológica este ano. Com a campanha Dezembro Vermelho, o mês foi escolhido para se pensar, de forma mais aprofundada, sobre questões do comportamento epidemiológico do HIV.

O desafio é mobilizar os profissionais da área e também a população como um todo. Os serviços de saúde devem se voltar para essa questão e ofertar serviços de qualidade com relação a diagnóstico, tratamento e cuidado compartilhado. “Nós aproveitamos para reforçar as medidas de prevenção, visto que a Aids é uma doença que não tem cura, mas tem tratamento”, disse o médico infectologista Alan Areal.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão do HIV e, por consequência, da Aids, acontece das seguintes formas:

  • Sexo vaginal, anal e oral sem camisinha;
  • Uso de seringa por mais de uma pessoa;
  • Transfusão de sangue contaminado;
  • Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;
  • Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. Existem os exames laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos. Esses testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Sesacre também disponibiliza, gratuitamente, os remédios de combate ao HIV, Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição de Risco (PEP).

A PEP tem o objetivo de prevenir a infecção após uma exposição de risco. É um medicamento de urgência que deve ser ingerido nas primeiras 72 horas após a exposição, durante 28 dias seguidos. Ela é disponibilizada nas Unidades de Pronto Atendimento (Upa) 24h por dia e no Pronto Socorro de Rio Branco, durante os finais de semana e feriados. Durante a semana, é ofertada no Serviço de Assistência Especializada (SAE), localizado na Fundhacre, que funciona das 7h às 17h30.

Para iniciar o uso da PrEP, a pessoa deve procurar o SAE, onde será feito uma avaliação, exames de sangue e testes rápidos. A cada três meses o usuário retorna à unidade para realizar novos exames e, dependendo do resultado, o paciente terá acesso a mais três meses de medicamentos. Tanto a PreP como a PEP são disponibilizadas de forma gratuita e para um público alvo, que estão em maior vulnerabilidade. São eles:

  • Profissionais do sexo;
  • Gays, pessoas trans, homens que fazem sexo com homens;
  • Pessoas que tenham relações sexuais com pessoas que vivam com HIV sem tratamento;
  • Pessoas que já tiveram infecções sexualmente transmissíveis repetidas vezes;
  • Pessoas que já precisaram usar a PEP por mais de 2 vezes.

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