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Embrapa amplia aplicação da fosse séptica

Cantinho do Zito utiliza fossa séptica em projeto piloto

Historicamente, comunidades rurais de todo o país não possuem saneamento básico para tratar o resíduo vindo dos banheiros das residências. Para improvisar e dar destinação sustentável aos dejetos dessas propriedades, agricultores criam as fossas rudimentares, conhecidas como “fossa negra”, “valas” e também “poços caipiras”. A Embrapa já amplia aplicação e foca no Vale do Juruá em parceria com ONG’s.

O principal problema ligado a esta cultura tão antiga, é que, as fezes e a urina humana entram em contato direto com o solo, podendo assim, contaminar a água, consequentemente, as pessoas.

Como alternativa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária criou a Fossa Séptica Biodigestora, que pode ser a melhor alternativa para o saneamento básico nesses locais. A inovação foi realizada pela primeira vez em São Paulo, em 2001.
No Acre, o primeiro experimento ocorreu há dois anos, no sítio conhecido como Cantinho do Zito, localizado na zona rural do município de Senador Guiomard e que foi escolhido pelo trabalho social que desempenha.

Cantinho do Zito

O Cantinho do Zito é um sítio onde funciona uma Organização Não Governamental (ONG), administrada por Maria Aparecida Santos da Silva, onde atualmente vivem 27 crianças e adolescentes, todos meninos em situação de vulnerabilidade, além dos 7 adultos que ajudam na administração do local e nos cuidados com as crianças.

As crianças ajudam na arborização e nas plantações. Além disso, há ainda a criação de galinha e vacas leiteiras. A ONG é mantida por doações. Por isso, “Tia Cidinha”, como Maria Aparecida é chamada, diz tentar produzir ao máximo para diminuir os gastos com a comida. No local, além de uma horta para o consumo próprio, existe um pomar de laranjas, de café, vários coqueiros e uma plantação de mandioca.

A Fossa

Segundo o Analista da Embrapa Acre Renato Marmo, o sistema é simples, com três caixas d’água (dependendo da quantidade de pessoas na residência) que recebem o esgoto do vaso sanitário, que passa por um processo de fermentação biológica.

Ao final do processo é obtido o biofertilizante. “É necessário, além do sistema, o uso de esterco de gado (em pouca quantidade) no início do processo para que ele agilize o processo de fermentação. As caixas devem ser de fibra de vidro: não podem ser aquelas de plástico”, explicou Marmo.

Muito embora a matéria prima usada sejam dejetos humanos, o produto final não tem odor e o analista garante que, se o processo for realizado corretamente, não há riscos de contaminação.

Segundo estudos, o fertilizante não possui coliformes fecais. Além disso, ele tem os mesmos compostos do fertilizante comprado em casas específicas, com a vantagem de ser natural e de baixo custo.

A aplicação deve ser feita direta no solo, portanto não é indicado o uso em hortaliças por ficarem muito rente ao chão e por serem consumidas cruas. A planta absorve muito mais nutrientes e tem um desenvolvimento muito maior se comparado com plantas onde não há ação do biofertilizante. “Não tem perigo nenhum de contaminação, de gerar doenças. Processo ambientalmente correto e economicamente viável”, explicou o analista.

A experiência

Cidinha conta que, após iniciar o experimento, notou que as plantas que foram ‘regadas’ com o biofertilizante apresentaram uma melhora expressiva, “os frutos estão maiores e mais bonitos, folhas mais verdes, a textura da planta mudou muito”, frisou.
A administradora do Cantinho do Zito disse ainda que, no início da instalação da fossa, tinha receio e um certo preconceito em relação ao fertilizante feito de dejetos humanos, mas, após iniciar o uso, mudou de ideia.

“É muito fácil, prático: só coloco o esterco uma vez por mês. Essa é a fossa do futuro para os produtores rurais”, assegurou a administradora.

O próximo passo agora será a implantação de 25 fossas no Juruá, com a Embrapa em parceria com a ONG SOS Amazônia e a WWF. Há duas semanas, as organizações começaram o trabalho de instalação de fossas sépticas em Cruzeiro do Sul, com a implantação de uma unidade no município e o treinamento com técnicos locais.

 

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