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Empresário acreano viveu duas grandes enchentes: 1982 e 2014

Há 17 anos, Oswaldo Dias é revendedor de motos no Acre

O ano, 1982. Oswaldo Dias era o gerente de uma das maiores transportadoras de cargas do país. Naquela época, o rio Madeira registrou uma das maiores cheias da história. Vários bairros de Porto Velho ficaram alagados, assim como Guajará-Mirim.

A água também invadiu a BR 364. Dias lembra que era comum isso ocorrer quase que todos os anos. “A estrada não era aterrada. Bastava o rio encher”, disse. Durante seis meses, a rodovia ficava completamente interditada até o Acre.

Até 1992, a única ligação terrestre do estado ao restante do país não era asfaltada. Oswaldo fala que as dificuldades para chegar a Rio Branco começava já na saída da capital rondoniense. “Lá tem um morro e muitos caminhões não conseguiam subir”, expôs.

Caminhoneiros que tentavam seguir viagem ficavam ilhados. Principalmente nos trechos mais baixos. Oswaldo Dias afirma que veículos da empresa já ficaram três meses parados no mesmo local. “O prejuízo era enorme”, ressalta. O gerente já perdeu as contas de quantas vezes precisou ir socorrer os funcionários.

“A gente conversava via rádio, tentando passar a tranquilidade e também passando informações para a família. Eu mesmo já precisei aplicar vacina em caminhoneiros que ficavam doentes”, argumenta.

Um período cheio de dificuldades

A BR ficava apenas seis meses aberta até Rio Branco. Era preciso fazer uma verdadeira guerra contra o tempo. Além de abastecer o mercado, a estocagem de produtos também precisava ser realizada para enfrentar o período chuvoso da região.

Mesmo assim, quando a estrada era interditada, não demorava muito para iniciar as dificuldades de abastecimento. Oswaldo relata que era comum alguns itens desaparecerem dos supermercados, os mais comuns eram os hortifrutigranjeiros.

“Não tinha tomate, não tinha ovo. A população não reclamava por causa disso. Já estávamos acostumados”, declara. Dias revela que uma das alternativas encontradas por muitas famílias diante desta carência.

“Quem retornava de viagem de outros estados em aviões trazia os produtos que não tinham aqui. Era comum as pessoas irem ao aeroporto atrás disso. Eu mesmo fiz isso muitas vezes”, admitiu. Diante de tantas dificuldades, ele afirma que sente falta daquele tempo. “As pessoas eram mais unidas para ajudar uma as outras.”

Comparação 1982 x 2014, prejuízos e futuro

Questionado pela reportagem de Agazeta.net sobre qual enchente teria sido a maior, Oswaldo respondeu que foi a de 1982. Ele se baseou em ruas do centro de Porto Velho. Este ano, a água não chegou em vias que foram atingidas no passado.

Segundo estimativas do governo de Rondônia, o prejuízo estimado é superior a R$ 1 bilhão. No Acre, a Federação do Comércio acredita que os transtornos causados pela dificuldade de travessia da BR 364 seja de R$ 800 milhões. Esta é apontada como a maior crise ambiental da Amazônia.

Há 17 anos, Oswaldo Dias é revendedor de motocicletas no Acre. Em quase duas décadas, ele confessa que jamais tinha vivenciado algo parecido. Atualmente, 350 veículos estão retidos na capital rondoniense. O estoque começa a ficar comprometido.

Com esta incerteza, as vendas despencaram. O empresário já soma prejuízos. “Em relação ao mesmo período do ano passado, o faturamento já diminuiu 30%”, aponta. Peças e óleo lubrificante agora são trazidos por transporte aéreo, o que torna o frete ainda mais caro.

Para o empresário, o pós-enchente pode ser ainda mais grave. Ele alertou sobre a futura situação da rodovia federal. Além disso, as pessoas estão apreensivas. “Nós vamos ter o produto, mas não sabemos se vai ter gente para comprar”, salienta.

Diante do caos, Oswaldo frisa que é importante buscar outros meios, principalmente novas relações econômicas com os países fronteiriços. Ao final da conversa, ele citou uma frase dita pelo primeiro governador de Rondônia, Jorge Teixeira, em 1982. “Precisamos virar o Brasil de ponta cabeça para que a Amazônia se desenvolva.”

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