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Escola de tempo integral encontra resistência comunitária

Falta de diálogo do Governo Federal pode ser causa

Participam do projeto piloto do estado, sete escolas localizadas em Rio Branco. Os alunos das escolas Estaduais José Ribamar Batista (Ejorb); Armando Nogueira; Sebastião Pedrosa; Boa União; Humberto Soares da Costa; Instituto Estadual Lourenço Filho (IELF) e Glória Perez vão entrar nas unidades às 7:30 e sair às 17:00. O investimento total para implantação será de R$ 28 milhões.

De acordo com a Secretária de educação, serão mantidas as 13 matérias tradicionais do Ensino Médio e serão incluídas disciplinas optativas. A ideia é que os estudantes busquem as áreas que encontrem mais afinidade, sendo acompanhados de tutores e orientadores.

Cerca de 300 alunos já se matricularam no ensino integral da Escola Humberto Soares. A escola oferece no total 540 vagas. Isso quer dizer que quase metade das vagas ainda estão disponíveis. Existem vários motivos, entre eles, que os estudantes se recusam em ficar o dia todo na escola.

“Eu acho que eles vão achar que é uma coisa que vai dificultar a vida deles. Mas, na minha opinião, vai ser ótimo pra eles porque vão ter tempo de estudar e ainda sobre o que eles querem fazer na vida”, opina Talita Freitas que já concluiu o Ensino Médio e se prepara pra iniciar o curso de Enfermagem. A jovem entende que existe necessidade de repensar a forma de preparar o aluno para entrar na universidade.

Para a coordenadora pedagógica Ester Assaf, os benefícios do ensino em tempo integral passam pela proteção do risco social e vão até o apoio à formação qualificada.

“Primeira coisa: ele vai estar fora daquele mundo onde ele pode se envolver com muitas coisas que a gente sabe que não são muito agradáveis para alunos do ensino médio. Então essa vai se uma nova oportunidade. O pai vai deixar seu filho na escola, despreocupado. Segundo: ele vai ter um leque de possibilidades de aumentar seu conhecimento. Ele além das disciplinas regulares ele vai ter as eletivas, vai ter estudo dirigido, vai ter educação física, aula de inglês, espanhol, vai ter laboratório de informática, ciências. Com certeza o aluno que vem para a escola integral vai sair preparado para o mundo, para a vida, o mundo do trabalho, o Enem, pra tudo”, afirma.

Para driblar a falta de informação, a escola Humberto Soares tem apostado na conscientização via redes sociais e por panfletagem de rua. De acordo com o diretor da unidade, Nito Schattate, mesmo que as vagas não sejam preenchidas, as aulas vão iniciar em 3 de abril.

“Com o passar do tempo, os próprios pais, a comunidade, os alunos, vão observar como estão sendo beneficiados. Tem aquela questão, tudo que é novo às vezes causa um tipo de medo, um receio, mas é bom que eles venham, conheçam a escola, conheçam a proposta, os professores que irão trabalhar também”, explica.

Além da rotina de estudos pela manhã e a tarde, em resumo, o cotidiano na escola será com lanche, almoço e lanche da tarde. Os banheiros estão sendo adaptados e vão receber chuveiros para os estudantes tomarem banho no intervalo do almoço ou após as aulas de educação física. Cada um também vai ganhar um armário privativo, para guardar objetos pessoais.

Além da ampliação de banheiros que estão na fase inicial de construção, a escola também vai adequar o laboratório de ciência, a biblioteca e vai garantir a climatização de todas as salas.

“A estrutura é muito melhor do que uma escola em ensino regular. A escola integral ela tem que fazer o quê? Que o aluno primeiro goste da escola que venha, se sinta bem”, afirma o diretor.

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