090617-cotidiano-escolatempointegral-tvgazeta

Escola em tempo integral expande conceito de “conhecimento”

Vários tipos de aprendizado: oportunidade para todos

O ensino em tempo integral caiu no gosto dos professores e alunos da Escola Boa União. Mesmo a espera de material pedagógico e bolsa incentivo aos docentes, a escola está mantendo as atividades extra-sala de aula, que tem feito a diferença aos olhos dos estudantes.

Desde o início a escola em tempo integral trouxe preocupação para pais, alunos e docentes da rede pública. Mas aos poucos, a visão do projeto vem mudando.

“É quebra de paradigma”. Com esta frase, a coordenadora geral da escola Boa União, Cláudia Valente, define como tem sido os dois primeiros meses de aula na unidade, após a implantação do ensino em tempo integral. O desafio de mudar uma cultura sobre a nova escola, não é fácil.

“O desafio é grande tanto pra nós quanto pra eles [alunos], até por que tem toda uma questão biológica, de se adaptar a ficar na escola o dia inteiro. Antes era só um momento. Eles sofreram um pouquinho no início, mas já estão quase no ponto pra permanecer o dia inteiro mesmo”, explica.

Recentemente professores das escolas que adotaram o método fizeram paralisação reclamando da Bolsa incentivo que foi prometida e que não receberam. A bonificação aos docentes com dedicação exclusiva equivale ao valor mensal de R$ 800. O governo se comprometeu em regularizar o repasse.

Na escola Boa União, não houve adesão à paralisação e mesmo sem o valor extra, os docentes deram sequência aos trabalhos.

Nesse tempo foram montados 20 clubes entre os estudantes, onde eles se reúnem no horário de almoço. Música e teatro são alguns dos temas. Também estão em execução 12 disciplinas eletivas, que são projetos que tratam desde culinária à robótica.
Em uma das salas, alunos do ensino médio trabalham um documentário, que será apresentado em um concurso do Estado. Os estudantes, que são de diferentes séries, se dividem em filmagem, equipe de reportagem, roteiro, produção e edição de imagens.

O documentário é um exemplo das atividades eletivas. O professor de matemática, James Barbosa explica a funcionalidade delas. “A gente tá trabalhando aqui com o projeto de vida de cada aluno. A escola apresenta várias eletivas que são projetos diferenciados. Esse grupo de alunos, por exemplo, trabalha com eletiva voltada a produção de documentários e curtas metragens. Esses curtas vão trabalhar sobre quase todas as eletivas que são trabalhadas na escola. A ideia é que dentro desse projeto que eles estão desenvolvendo eles consigam apresentar a escola integral para a comunidade”.

Fazer o que gosta é um dos objetivos das disciplinas eletivas. “Eu penso em fazer direito, mas minha mãe sempre teve vontade que eu fizesse jornalismo, mas acho bem interessante, assim, gosto muito de falar, de perguntar, então, muita gente diz ‘ah, você se dá bem como jornalista’… Mas eu acho interessante e, talvez, pense futuramente em seguir uma profissão desse ramo”, comentou Deise Kelly Alves, de 16 anos.

“Tá sendo bem gratificante pra mim. Eu tô realizando um dos meus sonhos que era editar algo sério, pra ser mandado pros outros verem meu trabalho. Aqui a gente vê coisas que em outras escolas a gente nunca pensou que iria ter. Por exemplo, hoje teve uma batalha de rap, teve música. Todas as escolas que eu estudei hoje, nunca vi isso. Achei muito legal, espero que essa escola dure pra sempre”, opina Átila Mateus, de 15 anos.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*