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“Eu tenho Aids: peguei do meu marido”

Incidência de Aids é maior entre heterossexuais

O ano era 1998. Naquela época, Janete Alves recebeu uma notícia que transformou a vida dela para sempre: “Fui diagnosticada como soropositiva”, lembra.

Após a confirmação, começava outra etapa. Janete sentiu medo e não sabia qual seria a reação de familiares e amigos após revelar que era portadora de HIV. Alguns ficaram chocados e outros, simplesmente, a abandonaram.

O contágio veio de quem ela menos esperava. “Peguei do meu marido”, conta. Após a descoberta, veio a separação. Foram necessários três anos para Janete tomar a decisão que a iria colocar no centro das atenções. Em 2001, ela decidiu chamar a imprensa e contar, abertamente, que era soro positivo.

“Quem pega Aids não são apenas pessoas vulneráveis. A maioria é mulheres casadas, como foi meu caso. Eu quis mostrar também que apesar de a gente viver com essa doença, podemos ter uma vida normal”, explicou.

Nesse tempo, não faltaram preconceitos. De um episódio, ela não esquece. “Fui convidada para participar de uma palestra com estudantes de medicina. No final, peguei carona com uma aluna. Antes de entrar no carro, ela pegou folhas de jornal e colocou no banco para eu sentar. Aquilo me deixou mal”, revela.

Para combater este tipo de situação, Janete Alves faz parte da Ong HIVida. O objetivo da organização é esclarecer dúvidas sobre a doença. Além disso, é uma maneira de conversar com portadores que preferem manter o anonimato ao extremo.

Números da Aids no Acre

Desde 1987, ano que a doença começou a ser acompanhada, 763 casos de HIV/Aids foram registrados no Acre. Desse total, 233 pessoas foram a óbito por outras complicações devido à baixa imunidade do corpo.

O levantamento revela que a maior incidência está na faixa etária entre 20 a 41 anos de idade. E aquela história que Aids é doença de homossexual, atualmente, é mito. “O maior número de casos está entre os heterossexuais”, aponta a gerente estadual da divisão de Agravos Transmissíveis, Karine Pinheiro.

A gerente revela que a doença vem se estabilizando nos últimos três anos, mas é preciso se manter alerta. Principalmente durante as festividades de Carnaval, período de maior contágio da doença.

“As pessoas acabam se alcoolizando e esquecem de usar o preservativo. Não podermos parar a prevenção. Se descansar, os números aumentam”, enfatiza.

Unidades que fazem parte da rede pública de saúde oferecem os exames que diagnosticam a doença. Em casos positivos, o início do tratamento é imediato. “Temos o teste rápido que sai em vinte minutos. Caso seja confirmado, encaminhamos ao SAE [Serviço de Atendimento Especializado] para ser acompanhado com um infectologista”, argumenta Pinheiro.

Quem convive com a doença há 16 anos, sabe que é possível ter uma vida normal. Mas é preciso obedecer, fielmente, a medicação. “Desde 2001 tomo o remédio e estou bem. A pessoa fica saudável e leva uma vida normal. Dá para se alimentar bem, dançar, namorar e se divertir”, finaliza Janete.

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