220318-cotidiano-assueroveronez-reproducao

Faeac acredita em retomada de abate no Acre

Boi retido no pasto vai ter que ser abatido

Diferente do que aconteceu em outros estados, o Acre reduziu o abate de bovinos em 2017 em 6%. Vários fatores podem explicar a queda, segundo a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado (Faeac), Assuero Veronez. Entre as causas, o preço baixo pago na arroba, a crise econômica e a operação Carne Fraca, desencadeada pela Polícia Federal. Por outro lado, a expectativa para 2018 é de uma reação nesse setor.

Segundo dados do IBGE, após três anos de queda, o abate de bovinos no Brasil cresceu 3,8% em 2017, atingindo 30,83 milhões de cabeças, cerca de um milhão a mais em relação a 2016. O abate cresceu em 16 das 27 unidades da federação. Como os dados são coletados em estados com participação acima de 1,0%, a queda atingiu apenas o Pará, Tocantins, Maranhão e o Acre.

Em 2016, o Acre abateu 450 mil cabeças de gado, já em 2017, foram 425 mil. A redução de 25 mil cabeças em relação ao ano anterior representa queda de 6% no abate.

Para a Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, três fatores podem explicar a redução. A primeira foi a operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, e que teria fragilizado o conceito de sanidade da carne no país. Outro aspecto está ligado à crise econômica.

“O consumidor, o cidadão, sempre que recupera o salário um pouco, passa a consumir mais carne de boi. Sai do frango e vai para a carne bovina. O inverso também é verdadeiro. E por último, o preço pago para o boi gordo aqui no estado no ano passado ficou abaixo da expectativa dos pecuaristas. Isso fez com que muitos pecuaristas retraíssem suas vendas, aguardando melhora de preço e essa melhora acabou não acontecendo e talvez isso tenha influenciado na retenção de mais bois no pasto para esperar melhora de preço”, disse o presidente da FAEAC, Assuero Veronez.

O Mato Grosso lidera o ranking dos estados, com 15,6% da participação nacional no abate de bovinos, seguido por seus dois vizinhos do Centro-Oeste: Mato Grosso do Sul (11,1%) e Goiás (10,3%).

A expectativa para o setor da pecuária em 2018 é animadora, acredita o presidente da Federação. “Se houve retenção de bois, eles terão que ser abatidos agora. Não podem esperar muito tempo. Assistimos gradativamente a uma recuperação da economia brasileira. As projeções indicam crescimento esse ano. Isso significa mais dinheiro no bolso do cidadão e, portanto, passa a consumir mais carne. É nítido esse comportamento da dona de casa, das pessoas que ao terem um pouquinho mais de dinheiro, passam a consumir mais carne”, afirma.

No ano passado o agronegócio cresceu 13% no Brasil. Enquanto o PIB brasileiro cresceu 1%. Números importantes que revelam a essência da recuperação da economia em algumas regiões do país.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*