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Falta de conservante faz paciente perder transplante

Paciente novamente na fila de transplante

Por falta de um produto chamado de solução que conserva rins, Hospital das Clínicas em Rio Branco cancela cirurgia de transplante nesse final de semana. Curiosamente, 24 horas depois, a superintendência da unidade alega, em entrevista, que já conseguiu repor o estoque, e já está pronta para fazer as cirurgias.

O problema é que a pessoa que seria transplantada perdeu o órgão que era compatível. Agora, vai que ter que voltar para fila de espera e não sabe quando outro doador vai aparecer. Há um ano, Francisca Maria Jansen, 65, espera um doador com rins compatíveis.

Nesse final de semana, parecia que enfim seu sofrimento acabaria e começaria uma nova vida. No sábado, foi chamada para fazer hemodiálise e em seguida ficou internada, para, no domingo, ser transplantada.

A família de um funcionário do Hospital das Clínicas decidiu doar os órgãos. Na hora da cirurgia, os médicos decidem mandar a dona Maria Jansen de volta para casa. “Eu não acreditei que, por irresponsabilidade do hospital, minha cirurgia foi cancelada porque faltava um conservante. E agora como fica a minha situação? Quando vai aparecer outro doador compatível?”, questionou a paciente.

A superintendente do Hospital das Clínicas, Juliana Quinteiro, explicou que na hora da cirurgia não havia solução de conservação suficiente para garantir a segurança à paciente, por isso foi preciso cancelar o transplante. “Mas, nessa manhã de segunda-feira, nós já conseguimos repor o estoque e estamos prontos para fazer os transplantes”, garantiu.

Atualmente, 50 pacientes no Acre esperam fazer transplantes de rins, fígado e córneas. A coordenadora da Central de Transplantes, Regiane Ferrari, explicou que o problema com a paciente Maria Jansen não pode atrapalhar a campanha de doação de órgãos.

“Assim que aparecer um doador compatível, a paciente será avisada e fará seu transplante. É preciso manter esse programa forte para que as pessoas continuem doando”, disse.

O difícil é explicar essa história para a paciente que precisa de um rim urgente. Maria Jansen ainda não acredita que deixou de fazer a cirurgia porque o hospital deixou ficar no limite um produto essencial e não repôs o estoque a tempo, e, por isso, perdeu um órgão que poderia mudar a vida de um paciente.

 

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