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Falta de pediatra gera indignação de pais em UPA’s

Demora também gera críticas: gestores se explicam

Os pais de Gabriel Marcos, de 1 ano de idade, foram para a UPA da Sobral para buscar atendimento ao menino que chorava há 4 dias. Antônio e Janaína descobriram, através de um exame, que a criança está com infecção urinária. “Ele chora muito e não dorme de noite. Acho que a dor incomoda tanto que atrapalha o sono”, desconfiou o pai Antônio Marcos.

No sábado (30) pela manhã, a mãe se revoltou ao procurar pediatra na unidade pela segunda vez, depois que saiu o exame, mas não encontrou médico. “É a segunda vez. E ela me informou que Upa nenhuma tem pediatra agora de manhã e meu filho continua com dor”, disse a mãe do bebê Janaína da Silva.

Maria Antônia Gomes ficou ainda mais preocupada com a falta de pediatra. A filha recém-nascida está com problemas respiratórios e ela foi informada de que teria que esperar 5 horas para ser atendida.

“Tem horas que ela chora que chega a provocar. Essa noite eu não dormi com ela, quase morrendo”, lamenta a mãe, nervosa com a situação.

Ainda na manhã de sábado, na Upa do Segundo Distrito, encontramos outra mãe angustiada pela ausência de pediatra na unidade. Indignada com a situação, a família registrou em fotos a criança dormindo em um banco de alvenaria na sala de espera da Upa. A febre alta e as manchas avermelhadas pelo corpo da menina de 2 anos deixaram a mãe preocupada. E foram longas horas de espera até a internação.

“O resultado do exame que era pra chegar em cinco horas chegou em nove horas e meia. Disseram que não tinha pediatra; que a doutora que viria à noite não veio. Pedi pra passar por clínico pra ele encaminhá-la para o OS. A menina disse que não tinha clínico”. A criança foi internada por volta da meia noite e permaneceu esperando atendimento médico até o início da manhã.

As fotos servirão de provas para uma denúncia que a família pretende encaminhar ao Ministério Público.

Procuramos pelo diretor da Upa da Sobral e fomos informados de que ele não estava. Uma funcionária confirmou que a escala para atendimento ambulatorial estava descoberta para os períodos da manhã e da noite, mas afirmou que atendimentos emergenciais estavam sendo realizados.

Na Upa do Segundo Distrito, uma das coordenadoras da unidade explicou que os pediatras estão em falta no Acre. No sábado pela manhã, apenas um pediatra atendia. A coordenadora também afirmou que casos emergenciais como pacientes com febre alta, diarreia, vômito e dor são encaminhados ao clínico geral, que supre a demanda.

Mas, as reclamações nas Upas não se restringem apenas à falta de pediatras. A demora no atendimento também é outro fator de críticas dos usuários da saúde pública. “Eu tomo remédio controlado e me disseram que vou ter que esperar mais de cinco horas pra ser atendida”, lamentou Jane Socorro.

Na Upa do bairro Cidade do Povo, o tempo de espera também gera reclamações. “Eu já estou aqui um bom tempo esperando e sempre é assim. Demora muito o atendimento”, disse Cosmo Oliveira.

No último sábado, apenas um clínico geral atendeu na unidade. Um médico faltou. Não há atendimento pediátrico no Cidade do Povo, apenas clínico. Com a falta de um profissional na escala, quem aguardava precisou esperar por mais tempo para o serviço ser concluído.

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