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Preferencial: comércio adere ao símbolo do autismo

Transtorno ainda é visto com preconceito

Dia 2 de abril foi celebrado o Dia Mundial do Autismo e desde então várias campanhas e ações tentam divulgar melhor o conceito do transtorno.

Um dos principais dilemas enfrentados pelas famílias dos autistas é a falta de conhecimento da população. Como o transtorno não apresenta características físicas, muitas vezes, os direitos dessas pessoas não são respeitados.

Edilene Lima é mãe de dois filhos, o mais novo, de 12 anos, foi diagnosticado com autismo aos seis anos. No início, ela conta que o susto causou uma rejeição, nem ela nem o marido aceitavam medicar o filho e até chegaram a pensar em deixar Francisco em casa, mas com o passar do tempo eles aprenderam mais sobre o transtorno e decidiram enfrentar todas as barreiras e preconceitos juntos, como uma verdadeira família, mas não foi nada fácil.

“As pessoas não tem conhecimento e não buscam conhecimento, porque o autismo não é como a Síndrome de Down, por exemplo, que é visível e eu acredito que o preconceito maior é por conta disso, porque como não é visível, as pessoas acham que a criança não tem nada ou que estamos furando a fila”, disse Edilene.

Um dos supermercados de Rio Branco já incluiu o símbolo do autismo nas placas de atendimento preferencial. A ideia é, além de atender à lei municipal que determina isso, trabalhar a consciência e o respeito por parte da população.

“A gente desperta a curiosidade das pessoas em procurar saber e para quando tiver alguém no caixa passando no preferencial, ela ter consciência que pode ser uma pessoa portadora de autismo”, explicou o gerente de supermercado, Evaney Costa.

Nos caixas, a imagem da fita de conscientização, que trás o quebra cabeça em cores diferentes que representam a diversidade de pessoas e famílias que convivem com o transtorno, já é vista ao lado de símbolos mais conhecidos, como de idosos, crianças e deficientes físicos.

Andréia Mascarenhas ficou surpresa ao perceber a presença da fita. Na família dela, três sobrinhos gêmeos são autistas e a emoção de saber que, aos poucos, o transtorno começa a ser respeitado, pegou a estudante de surpresa. “Tomara que as pessoas comecem a entender que por eles terem autismo não precisam ser olhados de uma forma diferente. As escolas, principalmente, precisam incluir essas pessoas”.

Quem ficou surpreso também foi o Francisco Lima, filho da dona Edilene, que falamos no início da matéria, foi ele quem percebeu no supermercado a fita do autismo na placa de preferencial. E para quem pensa que os autistas não entendem o significado e a importância desse símbolo, Francisco prova justamente o contrário.

“Eu chamei minha mãe e mostrei o símbolo para ela. Esse símbolo mostra que as pessoas tem que respeitar porque eu sou um ser humano como todos e tenho direito e deveres”, concluiu o estudante.

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