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Famílias despejadas estão morando em curral e embaixo da ponte

Há nove dias, pelo menos 60 pessoas estão sem ter para onde ir

A ponte do Rio Antimary, 85 quilômetros de Rio Branco,  transformou-se na moradia das famílias que foram despejadas há nove dias pela Justiça, do ramal do Cacau,  no município de Bujari. O grupo está dividido, uma parte fica embaixo da ponte e o outro num curral construído pela prefeitura para descarregar os bovinos que chegam dos ribeirinhos.

As famílias estão revoltadas, durante o dia ficam às margens da BR-364, na entrada do ramal para tentar buscar os bens que ficaram para trás nas casas e tentar salvar alguma coisa do roçado. Mas ninguém pode entrar. Duas viaturas policiais fazem a vigília do local para manter uma ordem judicial de reintegração e posse dada a um fazendeiro da região.

Quando chega a noite começa a agonia das famílias. No curral, eles se espremem buscando um lugar para dormir. Os colchões ou lonas são colocados lado a lado. Adultos e crianças dormem juntos. Pior mesmo é para quem só conseguiu espaço embaixo da ponte. No local, a descida é íngreme. Quando  conseguimos descer nos deparamos com famílias inteiras dormido com o colchão no barro. Outros armaram redes nas árvores que ficam ao lado da ponte ou entraram na mata que fica ao redor.

O mais complicado, na improvisada moradia é enfrentar o grande número de morcegos que ficam alojados na ponte. Eles fazem voos rasantes nas redes e estão sempre urinando nas pessoas. Alguém tem que ficar acordado mantendo o fogo acesso e vigiando os morcegos para que não ataquem, principalmente as crianças.

Tormento sem fim

São nove dias vivendo assim sem ter para onde ir. As famílias que residiam no ramal do Cacau, no quilômetro 85 da BR-364, sentido Rio Branco/Sena Madureira, fazem vigília na entrada do ramal. Eles querem impedir que funcionários da fazenda entrem para destruir as lavouras que ficaram nas propriedades. Só que não podem voltar, a Policia Militar vigia a entrada.

Entramos na área e notamos as casas destruídas e queimadas. Os invasores derrubaram árvores e cortaram a madeira para construir suas moradias. A ação da polícia, na reintegração,  foi tão rápida, que alguns pertences ficaram para trás.

Onde eram os quintais frutas, verduras e  legumes se perdem. As galinhas estão espalhadas e logo serviram de alimentos para os animais da floresta. Os roçados abertos o milho e macaxeira vão se perder sem os cuidados.

Sem ter onde ficar, as famílias estão se abrigando as margens do rio Antimary, na ponte que fica a meio quilômetro da entrada do ramal.

Enquanto uns cuidam da vigília do ramal, outro grupo providencia a comida. O Antimary está sendo generoso. Os peixes pescados diariamente vão garantindo a refeição. A quantidade é  pouca para tantas bocas, por isso, cada uma vai ter que comer um pouquinho.

Nesta quinta-feira, 31, as famílias fecharam a BR-364 no período da tarde numa tentativa de chamar a atenção de alguma autoridade ou então vão torcer para que aconteça algum milagre e retornem para suas propriedades. Caso contrário o curral e a ponte serão suas moradias por um bom tempo.

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