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Famílias que moram próximo ao Capitão Ciríaco relatam abuso da PM

Eles alegam que abordagem de policiais militares é truculenta 

Famílias que moram nas proximidades do Parque Capitão Ciríaco denunciam perseguição de policiais militares no local. Segundo os moradores, os policiais estão constantemente abordando moradores, em atitudes que eles consideram truculentas e desnecessárias.

Desde a noite da última quarta-feira (26) que a rotina mudou para os moradores do entorno do Parque. Após uma denúncia anônima, onde suspeitos estariam vendendo droga, policiais militares foram ao local.

Segundo a polícia informou, houve troca de tiros, mas de acordo com os moradores da região, os militares chegaram atirando.

No confronto dentro do parque, dois suspeitos foram mortos, um deles seria um adolescente de 16 anos. Outras cinco pessoas foram detidas e houve apreensão de um revólver e munições.

Segundo moradores, desde esse acontecimento, a polícia tem frequentado o parque todos os dias, com atitudes no mínimo truculentas.

“A gente tá sendo perseguido pela própria polícia. A gente tinha medo dos malandros, mas agora nós temos medo da própria polícia. Não pode sair de casa, não pode vir um parente nosso que é abordado aqui e com a maior ignorância. Se eles falassem com a pessoa tranquilamente, a gente estava aí pra responder, mas dessa forma que eles estão aí, estão oprimindo a gente”, afirma o pedreiro Veríssimo da Costa.

Segundo a dona de casa Karina Pereira, os policiais usam de xingamentos nas abordagens e sugerem violência ao se reportarem aos moradores. “Quando eles chegam aqui não respeitam a gente, tá com criança, com idoso, falam que a gente tem que morrer. Ficam xingando a gente. Falaram da minha filha dizendo que não tinha dó, como se fosse fazer alguma coisa. A gente não tem mais paz por aqui. Quem eles veem por aqui acham que tá fazendo coisa errada, vão abordando, batendo”, relata.

Os denunciantes dizem que os suspeitos que teriam trocado tiros com a polícia não são moradores do Parque Capitão Ciríaco. Cerca de sete famílias moram no espaço onde houve a ação policial. A maior parte dos moradores habita na região há mais de 10 anos.

“Eu tenho filho que brincava aqui de 6 da manhã às 6 da tarde e agora não deixo mais brincar, com medo do meu filho voltar baleado. A gente quer paz e tranquilidade. Que a polícia pare de visitar, ameaçando nós, população”, reivindica o pedreiro e pintor, Lázaro Gomes.

De acordo com os moradores, além de circular com armamento pesado no parque, ameaçando quem transita no local, os policias também estariam deixando marcas. Uma foi no pneu de uma bicicleta que teria sido furado e outra numa cadeira que foi destruída.

“Nós não estamos entendendo o que está acontecendo. E eles falam na cara da gente que tem ordem pra fazer isso, fazer aquilo. A gente tem medo, de fazer alguma coisa com nós. E se eles chegarem lá falando que não tem nada a ver, será nossa palavra contra a deles. O que vai adiantar nossa palavra contra a palavra da lei”, conclui Karina.

A produção da TV Gazeta entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar que ficou de enviar nota, mas não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

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