Feliz dia dos pais, mães!

Dia dos pais chegou, mas esta que vos escreve quer dedicar esse espaço às mães, tias, avós e tantas outras mulheres que desempenham com maestria tal papel, mesmo que, muitas vezes, aos trancos e barrancos.

No Brasil, milhões de registros de nascimento são emitidos sem constar o nome do pai. São milhares de meninos e meninas criados somente por mulheres – e que, por vezes, sequer conhecem o genitor. O abandono paterno segue fazendo vítimas dia após dia em nosso país – sim, vítimas! Digo isso porque nenhuma criança deveria experimentar esse gosto. É amargo!

As consequências chegam a ser inimagináveis para tantos e tantos (um assunto pra outro momento).

E não é porque a mãe não dá conta. Jamais diria uma coisas dessas! Se existem guerreiras, elas são as maiores.

Falo por experiência própria. Minha mãe é uma dessas espartanas nascida neste Acre de meu Deus. E constato: não há romantização em ser mãe solteira; há falta de responsabilidades daquele que carrega o cromossomo Y.

Passamos fome, andamos a pé no sol e na chuva por falta de dinheiro, noites em claro sozinhas… Acho que o momento mais difícil que passamos (desse não tenho lembranças) foi quando tive meningite durante um surto da doença no final da década de 1980. Fico imaginando como ela sofreu sozinha ao receber meu diagnóstico. Durante o coma, a notícia de que eu não resistiria deve ter tirado seu chão. Ela seguiu forte e eu sobrevivi pra contar nossas histórias.

Mas, como se tudo isso e muito mais não bastasse, sem ao menos pestanejar, minha mãe se tornou pai e mãe não só daquela a quem deu a luz. Ela decidiu que seria mãe e pai de três sobrinhos (que a chamam de mãe) também abandonados por seus pais homens.

E assim, vamos andando, aperfeiçoando nosso caminho e fortalecendo nossos laços.

A todas as mães que vivem situações parecidas, um feliz dia dos pais!

Camila Holsbach é jornalista e editora-chefe do Gazeta Alerta, na TV Gazeta

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