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Fibromialgia: Doença causa dores por longos períodos

Síndrome é mais comum em mulheres entre 20 a 50 anos

Uma síndrome comum, mas ainda pouco conhecida, a fibromialgia resulta em dores por todo o corpo durante longos períodos. A causa ainda é desconhecida, mas alguns fatores de risco já foram identificados.

A doença, por exemplo, é mais comum nas mulheres do que nos homens, a faixa etária mais vulnerável fica entre 20 e 50 anos. Pessoas com histórico familiar ou outros transtornos, como artrite reumatoide ou lúpus, também tem mais chances de desenvolver essa síndrome.

Elza e Antônia se tornaram amigas por causa da fibromialgia. As histórias se cruzam e tem praticamente os mesmos capítulos. Os relatos começam nas dores, passam pela espera por um diagnóstico e terminam na dificuldade de acesso ao tratamento.

“As dores eu sinto há muito tempo, há mais de dez anos, mas só vim descobrir a doença há cinco anos. Eu nunca tinha ouvido falar sobre essa doença, fiquei até assustada, pois é uma doença que não tem cura e você tem que conviver com dores, ansiedade, depressão e muitas vezes as pessoas que estão ao seu lado não entendem”, disse a jornalista, Antônia Mendes.

“A nossa vida no Acre é muito sofrida porque eu fico sem atendimento, quando eu vou ao posto de saúde eu tenho que ir 3, 4 horas da manhã para pegar uma ficha com clínico geral, faz seis meses que estou aguardando uma reumatologista e desde 2015 aguardo um oftalmologista na fundação”, explicou a microempreendedora, Elza Sotocorno.

A fibromialgia não tem cura e uma falta de acesso ao tratamento compromete, ainda mais, os sintomas do paciente. As dores, que são generalizadas, tem origem desconhecida, o que deixa o diagnóstico, ainda mais difícil de ser fechado.

A reumatologista Gabriela Vasconcelos acompanha inúmeros casos de pacientes com essa síndrome. A médica explica o porquê a doença é tão difícil de ser identificada e a importância do tratamento na vida desses pacientes.

“Não tem nenhum exame que evidencie que você tem fibromialgia. Nós solicitamos os exames para descartar outras doenças associadas, muitas doenças crônicas podem estar associadas com a fibromialgia também, mas a fibromialgia em si não tem exame que diagnostique”, explicou a médica reumatologista, Gabriel Vasconcelos.

Quem sofre de fibromialgia sabe que é preciso acesso a uma equipe multidisciplinar para controlar a dor. Consultas regulares a alguns especialistas, como psiquiatra, oftalmologista e educadores físicos fazem toda a diferença, mas a falta de acesso, mais uma vez, cria uma barreira.

Antônia e Elza aguardam há anos por consultas com esses profissionais e até agora não tem previsão alguma. Sem políticas públicas direcionadas a esses pacientes, o tratamento quase nunca é realizado. Abandono e descaso que chamaram a atenção do deputado estadual Roberto Duarte. O parlamentar relata uma série de ações que deveriam ser realizadas para garantir uma melhor qualidade de vida para essas pessoas.

“Necessitamos buscar melhor qualidade de vida para essas pessoas que sofrem muito com essa doença e nós vamos junto com a Câmara municipal de Rio Branco trabalhar com os vereadores para que eles criem políticas públicas voltadas para essas pessoas”, falou o deputado estadual, Roberto Duarte.

Mas enquanto essas ações não são realizadas, a dura e dolorida jornada desses pacientes permanece numa eterna peregrinação. As amigas, Elza e Antônia, permanecem firmes na luta contra uma dor que, muito mais que física, abala também todo o emocional delas.

“Imagina ter que conviver 24 horas com dor, é difícil esse entendimento. É uma doença que limita, ela não deforma, não é falta, mas limita pela intensidade da dor”, concluiu a jornalista.

 

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