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Incra não garante assentamento a invasores da fazenda Bhrama

Invasão à fazenda Bhrama começo com 350 famílias

No início da semana cerca de 100 pessoas fecharam a Avenida Getúlio Vargas em protesto por assentamento da reforma agrária. O grupo representava as mais de mil famílias que foram retiradas da fazenda Brama, localizada no ramal do Mutum, área rural de Rio Branco, no ano passado. A manifestação causou sérios transtornos ao trânsito, que ficou engarrafado em várias ruas por horas.

Segundo o líder das famílias sem-terra, Eládio Frota, o bloqueio foi irregular. Já havia uma reunião agendada para o mesmo dia, e algumas pessoas do movimento se rebelaram.

Também de acordo com ele, a invasão à Fazenda Brama começou com cerca de 350 famílias. Com o passar do tempo, mais pessoas foram se agregando. Hoje, são poucas as que realmente aguardam por assentamento.

Na beira da estrada, estão dezenas de barracos, mas apenas a metade deles é habitada. Quem ainda persiste em acompanhar o desenrolar da história afirma que está cansado. ‘Eu espero que já esteja no final. Eu queria um pedaço de terra pra plantar, criar, porque na cidade é muito difícil viver só com um salário”, disse a aposentada Rute Carvalho.
De acordo com o superintendente do Incra, Reginaldo Ferreira, até o final do mês de dezembro, 600 famílias serão assentadas na Fazenda Brama, que foi desapropriada para a reforma agrária.

Contudo, não há como garantir que os autores da invasão da área serão beneficiados. “Não tem como criar expectativas. A gente se comprometeu em incluir as pessoas que estão cadastradas no Incra, nesse processo de seleção. O fato de estar inscrito não quer dizer que está assentado”, disse.

O superintendente também explica que no Acre estão inscritas para a reforma agrária cerca de 8 mil famílias. Cada processo de assentamento segue critérios e são filtrados aqueles que não se enquadram no perfil.

“O próprio sistema do Incra faz a seleção. Depois cruzamos dados com a Polícia Federal e o Ministério da Fazenda. Se houver dúvida, a comissão com o CPF da pessoa checa “in loco” e vê por exemplo, se é comerciante, e elimina”, explicou Ferreira.

Mesmo sabendo da posição oficial do Incra, os representantes do movimento alimentam boas expectativas. Eles também admitem que muitas pessoas não se enquadram na seleção do Incra, mas acreditam que as famílias mais carentes serão beneficiadas.

“Eu creio que o Incra não vai deixar que nenhuma dessas pessoas fique de fora”, disse Frota, se referindo à quem está acampado às margens no ramal do Mutum.

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