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Indígenas bloqueiam BR-364 durante protesto

Manifestação contra extinção da secretaria de saúde indígena

Mais de 300 indígenas fecham rodovia no AC contra extinção da secretaria de saúde indígena. Os manifestantes não permitem passagem de nenhum veículo na BR-364 até que uma resposta concreta do governo federal.

Oito das quinze etnias da região montaram acampamento na rodovia. A manifestação é um reflexo contrário à decisão da proposta do Governo Federal, que visa a municipalização dos serviços de saúde indígena. Com a medida, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) será extinta, dando lugar apenas a um departamento sem autonomia administrativa. Uma decisão arbitrária, que representa um retrocesso frente às muitas conquistas já asseguradas, de acordo com as lideranças indígenas.

Além da área de bloqueio que os indígenas fizeram, agricultores da área de entorno também bloquearam uma outra parte da rodovia, impedindo também a circulação dos indígenas, já que no local as etnias proibiram até mesmo a passagem de caminhões de linha com os próprios moradores da rodovia. Durante a tarde dessa quinta-feira (28), agentes policiais federais se deslocaram para o local da manifestação e tomar ciência da situação junto aos manifestantes.

O governo Federal pretende fazer uma profunda reforma no Ministério da Saúde. Com a pasta sob o comando do médico ortopedista Luiz Henrique Mandetta, a maneira de se cuidar da saúde indígena no país mudará. A principal alteração será no custeio do serviço. Hoje, ONGs, associações e entidades do terceiro setor são pagos pelo governo federal para executar a tarefa. O novo ministro quer que o próprio Executivo faça o trabalho. Revoltados e determinados a não liberar o livre fluxo de veículos na BR-364, os indígenas afirmam que não vão ceder, até que uma decisão favorável seja firmada em favor dos povos indígenas.

“Nós só podemos sair daqui com a presença de algum representante do Ministério da Saúde, senão vamos até a noite ou até amanhã. Nós estamos lutando contra a extinção da saúde indígena, que afeta a todos nós. Hoje não temos mais nada de saúde indígena aqui”, avisou Fernando.

Em Brasília, lideranças indígenas se reuniram com o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que voltou atrás na decisão, “os índios achavam que a secretaria de saúde indígena tinha que permanecer. O ministério achava que deveria somar à nova Secretaria nacional de Atenção Básica e Indígena. Como os índios entendem que deve permanecer, porque tem uma luta história, porque é simbólico, e porque ali se reforça a sua cultura, a sua identidade, nós vamos manter a secretaria de Saúde Indígena”, disse o Ministro.

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