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“Já vi vultos e ouvi chamarem meu nome”, conta

Homem se apega na confiança em Deus

O ano era 2005. Luciano Viana estava à procura de um emprego estável. Ele era segurança de casas noturnas, mas nada fixo. Era um ‘bico’ daqui e ali. O homem conta que foram momentos difíceis e pediu ajuda a Deus para superá-los. Até que surgiu uma oportunidade.

Além de Luciano, outros 19 candidatos concorriam a vaga de vigilante em um lugar inusitado para alguns e aterrorizante para outros: o cemitério São João Batista, o maior e mais antigo da capital acreana.

A falta de interesse foi geral e só o Luciano resolveu encarar o desafio. Os primeiros dias no novo local de trabalho foram inesquecíveis. “Não conhecia o ambiente e qualquer folha que caia pensava que era uma alma e ficava assustado. No terceiro plantão já estava mais familiarizado”, lembra.

Vultos,  vozes que já chamaram o vigilante pelo nome e batidas de portas fazem parte do currículo sobrenatural de Luciano nesses oito anos que trabalha no São João Batista. Mas aquele ambiente assustador é coisa do passado. O vigilante afirma que a paz impera no cemitério onde estão sepultados mais de 20 mil pessoas.

Segundo Luciano, o cemitério é um bom lugar para fazer meditações, pensar sobre vida e ler a bíblia. O homem é evangélico. Apesar do costume com o lugar, ele tem um certo temor. “É um lugar que é a casa dos espíritos. Não gosto de mexer com eles e respeito muito”, afirmou.

Ele citou o caso de um colega de trabalho. O homem resolveu desmanchar um trabalho de macumba que havia sido despachado dentro do cemitério. Mesmo alertado por Luciano sobre o ‘perigo’ que isso poderia causar, o vigilante não deu ouvidos e destruiu a oferenda.

“Quando a gente retornou para o escritório, o guidão da moto dele virou sozinho. Em seguida, a tampa da televisão caiu no chão. No outro dia, ele foi para uma festa e no caminho não conseguiu fazer a curva e bateu na cerca. Ele se machucou e pegou ponto em várias partes do corpo. Depois disso, ele acreditou mais em Deus e está indo até na igreja agora”, relata.

Sair do cemitério? Pelo menos esta possibilidade não está nos planos de Luciano Viana. O homem é contratado por uma firma terceirizada. Ele torce pela efetivação. “Queria que a prefeitura fizesse um concurso. Eu iria fazer para, quem sabe, ficar no quadro de funcionários”, conclui o vigilante.

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