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Lista de desocupação da Sehab traz desespero

Muitos beneficiários negociaram o imóvel

A Secretaria de Estado de Habitação de Interesse Social (Sehab) constatou que 21 casas populares foram ocupadas irregularmente em projetos do Estado. Nossa equipe conheceu algumas famílias que estão com o nome na lista de desocupação.

Das 21 casas populares ocupadas irregularmente, segundo a Sehab, 20 estão localizadas no loteamento Vale do Carandá, próximo ao bairro Bahia Velha.

Em uma delas, mora Rosilene Ferreira dos Santos, 29. A unidade de número 15 fica na quadra 4, onde a mulher vive com o marido e os 5 filhos. Rosilene foi beneficiada por uma moradia popular, destinada a pessoa com deficiência no ano de 2010. Mas, ela trocou a casa que ficava em um conjunto no bairro Calafate, por outra no Carandá.

Segundo Rosilene, tudo foi feito com autorização da Sehab. “Essa troca foi assim, lá no Calafate era difícil pra mim, nós passávamos por situações, problemas. Aí essa moça apareceu, aí fizemos a troca. Fomos pra Sehab. Ela levou atestados, boletim de ocorrência por que não podia ficar aqui. Eu levei os meus. A Cícera fez a declaração, o seu Jamil assinou autorizando a troca, nós assinamos. Pra lá não posso voltar. Meus filhos já estão matriculados”, justifica.

O mesmo aconteceu com Antônio Teixeira, 40. Ele trocou com outro beneficiário a casa que ele ganhou no bairro Apolônio Sales.

“Eu ganhei uma casa dessas da Sehab no Apolônio Sales. Um dia cheguei do serviço, porque trabalho de roçador e os bandidos estavam batendo na minha esposa e na minha filha. Foi preciso eu reagir. Fui na Sehab e eles disseram que se eu conseguisse uma casa do mesmo programa eu poderia trocar. Eu consegui uma senhora que queria trocar. Fomos à Sehab para explicar por que a gente ia trocar. Eles disseram que iam ajeitar os documentos e até hoje não me chamaram”.

Segundo Teixeira, a troca aconteceu há quase cinco anos. Ele afirma que tem um filho de 18 anos, deficiente, e outras duas filhas jovens que estudam. “O meu filho a mãe dele coloca comida na boca dele. Eu não tenho onde colocar meus filhos”, explica.

Os processos administrativos para retomada das casas são instaurados após uma verificação do departamento de fiscalização da Sehab em cada unidade habitacional.
Em janeiro deste ano, a Sehab iniciou ação para retomada de 4 casas populares no Loteamento Cabreúva. Durante fiscalização realizada pela secretaria, foi constatado que os donos das unidades haviam vendido, cedido, trocado ou alugado suas moradias.

Segundo as regras para participação em programas habitacionais, quem recebe uma casa popular não pode fazer qualquer tipo de negócio com ela.

Mas, não é o que os moradores do Vale do Carandá relatam. “Aqui se for procurar tem poucos que tem o dono realmente. Aqui é casa alugada, vendida. Tem casa de bancário aqui dentro. E ninguém vê isso”, afirma Diana de Araújo, 31.

Diana demonstra indignação porque, sem ter condições de arcar com aluguel, invadiu uma das casas do loteamento. Isso foi há quase 5 anos e o nome dela aparece na lista de desocupação da Sehab. Ela investiu mais de R$ 10 mil no imóvel ao longo desses anos.

“Já tava abandonada, destruída. Os vândalos já tinham destruído. Portas quebradas, janelas. Tinha papel de droga, muita camisinha. Isso era um abrigo pra marginal. Eu pagava aluguel, não tinha mais condições. Eu falei vou entrar e fui construindo. Na verdade a gente eu não sei o que pensar por que cinco anos, eles esperaram. Por que esperaram tanto para retirar. A gente gasta o pouco que ganha. Eu vou morar onde? Cadê as casas que eles venderam, cadê?”, questiona.

A retomada dos imóveis pela Sehab não tem data prevista para acontecer. Três servidores vão acompanhar a desocupação.

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