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Instrutoras falam sobre preconceito na profissão

Profissão ainda é tida por muitos como “trabalho pra homem”

As mulheres estão ocupando cada vez mais espaços onde antigamente eram preenchidos por homens. Vamos mostrar, por exemplo, o caso de uma autoescola aqui de Rio Branco que tem em seus quadros, duas instrutoras. Elas estão há bastante tempo na profissão, mas afirmam ainda se deparam com atitudes preconceituosas.

Eliane e Esmeralda são o diferencial de uma autoescola da capital. Segundo o proprietário, José Luiz Souza, muitas mulheres chegam até o estabelecimento, porque sabem que quem vai dar aula de trânsito é outra mulher. “Justamente por conta da sensibilidade feminina. Elas se sentem mais tranquilas em relação em ser mulher ministrando aula pra mulher”, afirma.

Quem também procura o serviço diferenciado são os homens, maridos das alunas, que ficam menos preocupados durante as aulas práticas.

Mas também existe preconceito do outro lado. Algumas alunas preferem instrutores masculinos por que acham que eles entendem mais do assunto.

No quadro de funcionários da autoescola, os homens ainda imperam. São 7. Mas quando se fala em número de alunos, a realidade começa a mudar. As mulheres alunas representam 40% do fluxo de clientes.

A estudante Larissa Albuquerque está no primeiro dia de aula. Ficou surpresa ao saber que iria ser ensinada por uma instrutora. “Não imaginava que era uma mulher, mas é bem melhor porque você se sente mais segura do que com um homem. Porque geralmente nos espaços você sempre vê mais homens e com mulher é diferente”, disse.

A professora dela, Maria Esmeralda tinha 38 anos de idade quando tirou a carteira de habilitação. Um ano depois ela fez o curso para instrutor de trânsito. Para quem pensava que nunca teria carteira de motorista ela se superou. Tanto se habilitou, quanto ajuda outros hoje, a alcançar o sonho da independência, como motorista. “Quando o aluno passa e aí às vezes passa por mim no trânsito, dá aquela buzinada, feliz eu digo: olha aquele ali é meu aluno, passou. É um sonho mesmo pra mim, realizado”, afirma.
Para a estudante Larissa, essa é uma forma de quebrar tabus, “eu acho bem interessante porque tem muito preconceito com mulher no trânsito e uma mulher instrutora mostra que realmente as mulheres estão tomando espaço”.

Antes de ser instrutora, Maria Esmeralda trabalhava com serviços gerais em escolas. Ela afirma que agora, se encontrou na vida profissional. “Na verdade o benefício é completo. É melhor salário, porque na área da limpeza ganhava bem menos e a emoção. Eu gosto muito dessa profissão. Eu sempre quis ser instrutora e agora é um sonho realizado. Me sinto realizada nessa profissão”, afirma.

Eliane de Souza está há mais tempo atrás do volante. Antes de ser instrutora ela trabalhava como motorista. E afirma: nessa área o preconceito ainda existe. “É muito preconceito. Na verdade eles tentam nos desmoralizar, deixar a gente pra baixo, mas a gente tem que exercer o nosso lugar. Tem que correr atrás”.

Em um serviço tão tenso, que envolve o caos da cidade, o nervosismo de um principiante e os buracos das ruas, o perfil profissional é algo que conta muito. E segundo o dono da autoescola, as mulheres que conhecemos hoje, são nota 10. “Elas sem duvida são mais responsáveis que os homens. São mais cuidadosas com o trânsito, mais cuidadosas com os veículos da autoescola”, afirmou.

“A gente veste a camisa junto, acorda cedo, é dona do lar, mãe, tem que complementar renda. Eu acho gratificante quando vejo minhas colegas motoristas no trânsito e em quaisquer situações, desde balconista, margaridas. Então a gente tem que ter respeito e correr atrás dos nossos direitos”, finaliza a instrutora.

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