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“Meu pai era meu melhor amigo”, afirma filha de vítima da Covid

Said Barbosa tinha 51 anos e era pai de seis filhos

“Ainda hoje não consegui meter na cabeça que meu pai partiu. Ao fechar meus olhos tenho a lembrança de segurar a mão dele e dizer que iria ficar tudo bem, que ficaria em casa esperando-o voltar. Mas, tenho trabalhado a ideia de me lembrar dele com o sorriso discreto, trabalhador incansável, honesto, um excelente filho, esposo, pai e avô”, conta Karoline Benício depois de um mês da perda do pai para o Coronavírus.

Said Bezerra Barbosa tinha 51 anos, era sociólogo, teólogo e servidor público da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac). Também foi cofundador do Sindicato dos Trabalhadores das Indiretas (SIMDECAF), no Acre.

“Ele atuava na defesa dos direitos dos servidores, bem como no enfrentamento das injustiças sociais daquele período, tendo sido por um breve período articulista do Jornal A Gazeta, onde escreveu artigos em que chamava a sociedade para a reflexão sobre os tempos difíceis daquela época”.

Pai de seis filhos, Said gostava de levar a palavra de Deus nos bairros de Rio Branco, presídios e hospitais estaduais. Junto da esposa, atuou nas Penas Alternativas do Poder Judiciário, por mais de 10 anos. Acreditava que dessa formava podia colaborar para a transformação social e espiritual dos apenados.

“Meu pai era meu melhor amigo, tive o privilégio de ser criada por alguém que me incentivava a crescer e buscar independência em tudo. Amor, amizade, companheirismo e muito carinho foi algo que nunca nos faltou. Gostávamos de sentar na mesa, tomar um café e conversar principalmente sobre natureza, meu pai tinha muito orgulho de falar das plantas e verduras que ele cuidava com tanto amor”, lembra Benício.

A família não sabe ao certo como Said contraiu a doença. Começou com febre e falta de ar, o que preocupou esposa e filhos. Em um hospital particular de Rio Branco o médico descartou Covid-19, entretanto, pela insistência da família, solicitou que os exames que dão o diagnóstico da doença fossem feitos. No dia seguinte, com os exames em mãos, um especialista confirmou que Said havia contraído o vírus e o encaminhou para o Pronto Socorro.

“O que mais dói em perder um familiar para a Covid-19 é não poder se despedir de alguém que era tão amado, não saber se a pessoa teve os devidos cuidados que merecia. A importância do velório só é notada quando você não pode realizar um. As famílias que perdem alguém para a Covid-19 não têm o direito de receber um carinho de parentes e de amigos”, finaliza Karoline.

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