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Moradores de rua: exclusão sob o olhar de todos

Em 4 anos, número mais que dobrou na Capital

Dados da Secretaria de Ação Social da Prefeitura de Rio Branco apontam que nos últimos quatro anos aumentou em 140% o número de pessoas que vivem nas ruas. Eles eram 100 no ano de 2013, hoje são 242 nos registros da prefeitura.

A maioria é homem, jovens que escolheram esse caminho por alguma razão: álcool, doença mental, violência, perda da auto estima e principalmente droga.

A população parece não prestar a atenção, mas eles estão nas esquinas, nos semáforos ou deitados nas calçadas. Muita gente não se sente a vontade quando eles chegam perto, para, geralmente, pedir dinheiro, como um homem que flagramos em frente à porta do banco pedindo um real.

Moradores de rua ou pessoas em situação de rua? A prefeitura separa um do outro. Segundo Silvia Letícia, diretora do Departamento de Proteção Social, o morador é aquele que não tem casa, vive exclusivamente nas ruas da cidade e dormindo em prédios abandonados ou em qualquer lugar. Quem vive em situação de rua, geralmente tem família e uma casa, mas, em busca de droga ou outros fatores de dependência, prefere ficar vagando de uma ponta a outra da cidade.

“Dentre os motivos que levam essas pessoas à desagregação social, o crack é o principal. Ele é devastador na quebra dos vínculos familiares e no organismo dessas pessoas”, alertou.

A diretora Silvia Letícia, acompanha e monitora boa parte desses homens e mulheres e explica que no centro de Rio Branco eles fazem uma rota única: pedem dinheiro e quando conseguem seguem para a rua que fica próxima ao antigo prédio da policia federal para comprar drogas.

“Quando o corpo não aguenta, ele monta cama em qualquer lugar. Por causa do efeito da droga, muitos passam o dia sem comer, e, por isso, o organismo é tão frágil”, disse.

A Silvia explica que, por causa do uso abusivo da droga, a família geralmente não quer o usuário em casa. Por isso, aumentou tanto o número de pessoas em situação de rua.

O fato de não fazerem a higienização é uma forma de proteção. Quem vai se aproximar com alguém com odor forte? Para as mulheres é uma forma de evitar estupro, por exemplo, e como são excluídos socialmente, se tornam violentos em determinadas situações. Os agentes da prefeitura que trabalham no monitoramento e ajuda a essas pessoas, geralmente precisam de ajuda da polícia para fazer a abordagem.

Essas pessoas vivem na pobreza extrema, comem, bebem com o pouco dinheiro que conseguem na rua. São tratadas das mais diferentes formas pelo poder público e pela sociedade. Existe a indiferença, a repressão, a violência, preconceito. E como o modelo econômico que vivemos é excludente, a tendência é crescer o número de moradores de rua a cada ano.

Eles estão sempre unidos, um conhece a situação do outro e ajuda a proteger. É um único vínculo que contam.

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