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No Acre, apenas Rio Branco se adequou; prazo termina em agosto

Agosto é o mês limite para o fim dos lixões

O Congresso Nacional aprovou a política nacional de resíduos sólidos em 2010. A principal exigência é o fim dos chamados ‘lixões a céu aberto’. Nesta modalidade, todo material é descartado sem nenhum cuidado com o meio ambiente.

Desta forma, a chance de contaminação do solo por meio do chorume, líquido poluente que aparece durante a decomposição do lixo, é alta. Após aprovada, os municípios brasileiros tiveram quatro anos para se adequar a medida.

Agosto é o mês limite para o fim dos lixões. Com o prazo cada vez mais próximo, por outro lado, o interesse em colocar em prática caminha a passos lentos. Dos 22 municípios acreanos, apenas Rio Branco cumpriu a meta.

A capital acreana conta a unidade de tratamento de resíduos sólidos, a Utre. Inaugurada em 2009, o aterro sanitário tem vida útil de 30 anos. Por dia, são 250 toneladas de lixo. Todo material é levado para uma área que se encaixa nos padrões exigidos.

O chorume não entra em contato com o solo. Por meio de drenagem, o líquido segue para lagoas onde passa por vários processos até ser despejado no meio ambiente sem nenhum risco de contaminação.

Uma parceria com a prefeitura de Senador Guiomard possibilitou que o lixo produzido no município fosse descartado na Utre. Além disso, dentro da unidade existe a coleta seletiva de materiais recicláveis e de compostagem, onde é obtido o adubo natural.

Nas outras cidades, os projetos ainda nem saíram do papel. Plácido de Castro e Acrelândia estudam a possibilidade de um aterro compartilhado. Mesma intenção dos municípios do Alto Acre, como Brasileia e Epitaciolândia.

O lixão da fronteira é alvo de reclamações. Localizado às margens da BR 317, a estrada do Pacífico, todo material é jogado sem nenhum tipo de cuidado. O local não possui vigilância e é aberto 24 horas. Em 2011, o espaço serviu até como cenário de um dos crimes mais bárbaros dos últimos anos. Depois de executada, uma mulher teve o corpo queimado no lixão.

Em Acrelândia, o lixão da cidade também é alvo de críticas. Localizado na zona urbana, moradores são obrigados a conviver com o mau cheiro. Por causa do processo de combustão natural, os incêndios são comuns. Em 2013, o fogo durou mais de uma semana.

Já em Manuel Urbano, a situação é ainda mais grave. Os resíduos da cidade é depositado próximo a margem do rio Purus. Quando o manancial enche, o lixo é levado pela correnteza. Um crime ambiental que já foi alvo de investigações.

Em Sena Madureira, a 144 quilômetros da capital, o lixão dá as boas vindas para quem chega ao terceiro maior município do estado. Com a fiscalização inexistente, qualquer pessoa tem acesso livre. Por causa disso, é fácil encontrar índios revirando os resíduos em busca de comida, roupa e tudo que possa ser reaproveitado.

Mesmo alertados há alguns anos sobre as novas regras, os municípios alegam dificuldades financeiras. Afinal, construir e manter um aterro sanitário tem custos elevados. Para quem não cumprir o prazo, vai se deparar com o rigor da lei. Fora a responsabilidade criminal, as multas podem chegar a casa dos R$ 50 milhões.

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