Novembro Azul: preconceito dificulta diagnóstico da doença

A detecção da doença em estágio inicial aumenta em 90% a chance de cura

O Novembro Azul é uma campanha que tem como objetivo a conscientização sobre a saúde do homem, formas de prevenir doenças, além de trazer informações e ações no combate ao câncer de próstata. Esse tipo de câncer é tão comum que fica atrás apenas do câncer de pele.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a detecção da doença em estágios iniciais aumentam em 90% as chances de cura, porém existe um vilão, que não é tão novo e que atrapalha o diagnóstico da doença: o preconceito. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, 80% dos homens deixam de fazer os exames para detectar a doença por esse tabu.

Quem já fez parte dessa porcentagem, e hoje não faz mais, é o músico Abílio Bento, mais conhecido como Dj Black, de 47 anos, morador do bairro Nova Estação, em Rio Branco. Ele conta que fez o exame pela primeira vez na última sexta-feira (19), após “quebrar o tabu”, que muitos ainda carregam.

“No início eu tinha preconceito, imaginava que o homem iria perder sua honra, acreditava que realizar esse exame iria afetar na sexualidade, e achava que não era legal as pessoas saberem que a pessoa realizou o exame do toque. Não falando pelos os outros, mas pelo o que eu achava, e hoje sei que a vida é mais importante que o preconceito”, afirmou o músico.

Segundo Abílio, é fundamental que os homens sempre busquem a prevenção, mesmo que não tenham nenhum sintoma. O cuidado precisa ser mantido, sem medo e sem preconceito.

“O que eu diria para os homens é: tenham coragem, vida acima de tudo. E para ajudar nisso, nós do movimento da música estamos desenvolvendo uma campanha para conscientizar os colegas, falando de homem para homem a importância que tem. Afinal, somos pais de família e precisamos estar com a saúde em dia para mantê-las”, concluiu Abílio.

Para o jornalista Célio Roberto de 51 anos, morador do conjunto Ouricurí, em Rio Branco, o problema não é apenas o paciente, mas também a resistência que alguns médicos têm na realização do exame.

“O exame do toque seria o primeiro procedimento, para depois pedir outros exames, mas quando a gente chega no consultório, geralmente o médico pede o exame de sangue, e pede ultrassom, e quando voltamos com o resultado, eles afirmam que está tudo bem, e deixam para lá”, afirmou o jornalista

Ele também ressaltou que outro problema bem comum na realização do exame, é a falta de acesso ao urologista, pois muitos homens não conseguem ter esse contato. Além disso, ele acrescenta que a campanha do Novembro Azul não está sendo o suficiente para enaltecer a importância da saúde do homem.

“Com o passar do tempo a gente foi esquecendo os homens. De acordo com algumas pesquisas mundiais, o homem fica em quinto lugar, primeiro vem a mulher, criança, idosos, cachorro aí depois que vem o homem. Com isso, percebo que as pessoas têm que olhar mais para a questão do homem em si, que já tem essa resistência em cuidar da saúde”, concluiu Célio.

Pensando em colocar o homem nas primeiras posições de cuidado, e mostrar a importância que de procurar o médico, o médico urologista Fernando de Assis afirma o exame de toque dura pouco tempo, além de ser indolor, por conta da utilização de luva e lubrificante.

“O exame de toque é o mais importante, pois o exame de sangue pode falhar em até 25% das vezes. E como não existe forma de prevenir o câncer de próstata, é necessário fazer o diagnóstico precoce através da combinação do toque e do Antígeno Prostático Específico (PSA)”, pontuou o médico.

O exame mais conhecido como PSA, é importante para descobrir e rastrear a possibilidade da existência do Câncer de Próstata, e dependendo do resultado entre esses dois exames, o médico decide se é necessário mais avaliações detalhadas.

Além disso, nessa campanha do Novembro Azul,o urologista salienta que a saúde do homem não é apenas cuidar da próstata. “Quando o homem procura um urologista, o médico deve estar atentos as principais doenças para aquela faixa etária, especialmente as doenças cardiovasculares e doenças sexualmente transmissíveis”, explicou ele.

E se você, homem, ainda tem dúvidas de quando fazer esse exame, o médico Fernando informa. ” A idade indicada para os homens realizarem esse exame é a partir dos 45 anos se não houver histórico familiar, e 40 anos se tiver algum parente de primeiro grau com câncer de próstata”, concluiu o urologista.

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