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O difícil caminho até a aldeia Nova Esperança

Placa de boas vindas anuncia o lugar certo

De Rio Branco até o rio Gregório, em Tarauacá, são 480 quilômetros de distância. O caminho é pela BR 364. A viagem leva, em média, seis horas.

A placa de boas vindas que anuncia o festival Yawa indica que estamos no lugar certo. Comerciantes aproveitam o movimento para vender produtos, enquanto na margem do rio, as embarcações são preparadas a todo instante. Em um dos barcos estava a paulista Beatriz Rasnal.

“Esta é a primeira vez que participo e a expectativa é encontrar uma natureza preservada e um bonito festival”, conta a arquiteta. Ao todo, 50 barcos fizeram o vai e vem de pessoas pelo rio. No meio da manhã, a reportagem de Agazeta.net iniciou a aventura pelas águas turvas do Gregório. O tempo de viagem estimado: entre seis e oito horas.

A cada curva ou estirão, era possível acompanhar por alguns segundos a vida de quem mora às margens do manancial. Mulheres ribeirinhas nos afazeres domésticos, casas rústicas de madeira cobertas de paxiúba, palmeira típica da região.

O movimento de pequenas embarcações é constante. Já o plantio do roçado acompanha a fertilidade do solo após o sobe e desce das águas.

E tem o ‘tchauzinho’ das crianças e adultos que ao mesmo tempo desperta curiosidade em tentar saber quem está passando por ali. A imensidão verde da floresta e a cor barrenta do Gregório pintam este cenário tipicamente amazônico.

Após duas horas e meia rio acima, entramos na terra indígena do povo Yawanawá. Não demora muito e as primeiras aldeias começam a surgir pelo caminho. O nível do rio Gregório está baixo. Mas nada fora dos padrões dos seis meses do chamado verão amazônico, período em que as chuvas ocorrem com menos frequência.

Não é difícil encontrar bancos de areia no leito do manancial. Uma espécie de atoleiro das águas. Em muitos pontos, o Gregório mais parece um cemitério de árvores. Em diversos locais é possível perceber vestígios das últimas enchentes.

Pedaços submersos e até troncos inteiros atravessados no rio. São os conhecidos balseiros. Tudo isso torna a viagem ainda mais longa. Além disso, é preciso redobrar a atenção para não ser surpreendido.

Durante o trajeto, o condutor de uma embarcação, após tocar em tronco de árvore, perdeu o controle e só parou às margens do rio.

O motor ficou totalmente submerso pela água. Apesar do susto, ninguém se feriu. De repente, o tempo fechou. E não demorou muito para a chuva cair. Um verdadeiro temporal. O fim da chuva era o sinal que estávamos cada vez mais perto. Após oito horas de viagem, nos deparamos com os Yawanawás, o povo da queixada.

Vestidos a caráter, eles recepcionavam todos que chegavam à aldeia Nova Esperança, o palco para o festival.

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