jacu

O lado oculto da xícara de café

*Rosildo Barcellos

Há muito ainda para se conhecer no Brasil. País realmente de riquezas inquestionáveis e algumas ainda não conhecidas. Entretanto, numa destas viagens pelo Brasil, encontrei um supermercado que vende um produto muito interessante, e que eu, como contador de histórias, não poderia deixar de contar esta também. Caminhando pelo corredor do referido estabelecimento comercial, observa-se produtos divididos por especialidade organizada por país de origem e que evidentemente facilita muito quando busca-se algo específico. Ali, encontrei azeites especiais, alcachofra, tomate pellati italiano, produtos importados, para culinária árabe, indiana, japonesa chi nesa, uma adega com vinhos de qualificação ímpar.
Entretanto, também encontrei algo que me chamou a atenção. Uma iguaria produzida de uma forma extremamente original no município de Domingos Martins, na região serrana do estado do Espírito Santo, entre o Parque Pedra Azul, o Parque do Caparaó e o Pico da Bandeira. Um quilo do “Jacu Bird Coffee” custa R$ 272,00; quase 30 vezes mais que o valor dos tradicionais. Para quem não estiver disposto a dar R$ 68,00 no pacotinho de 250 gramas do café, pode provar da bebida na xícara, ao custo de R$ 8,00. Sabemos da excelência do nosso café, até porque o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundial de café. Inclusive, o Brasil esc olheu o “segundo café” mais exótico do mundo para ser o seu representante nas próximas Olimpíadas . O Jacu Bird Coffee é feito a partir dos grãos comidos e expelidos pelo pássaro (foto) de mesmo nome, é a novidade que faltava nas prateleiras. E o que antes era um problema ambiental, hoje é uma solução financeira. Para conhecimento, o Kopi Luwak, é o café mais exótico e caro do mundo, e é produzido a partir dos grãos ingeridos pelo civeta, um mamífero marsupial indonésio encontrado principalmente nas ilhas de Sumatra, Java e Bali. O animal é parecido com o gambá brasileiro e se alimenta também de carne. A xícara de café do Kopi Luwak custa R$25,00.
O preço aguçou a minha curiosidade até que descobri uma reportagem no jornal britânico Huffington Post a respeito do “Café Mármore Negro” que está conquistando o lugar de café mais caro do mundo. A referida bebida é feita com grãos refinados naturalmente colhidos dos excrementos dos paquidermes tailandeses, até porque as enzimas estomacais conseguem atuar diretamente na proteína do café reduzindo o amargor e deixando-o mais encorpado. Foi importante para mim compreender o difícil processo que há por trás de uma xícara de café.
Dizem que o verdadeiro apreciador de café prefere o expresso e sem açúcar, até porque neste particular reside a forma de extração do “expresso” – rápida e pressionada – um diferencial aroma, sabor e o corpo. Aliás, de origem italiana – é do país europeu que vem a grafia com s e não com x; o “espresso” conquistou o mundo. Aqui no nosso rincão criamos nossa própria versão, com 20 ml a mais do que o cafezinho italiano de 30 ml. O expresso original é feito com 7,5 gramas de pó para 30 ml de água. Alguns até servem água com gás para ajudar a limpar as papilas gustativas e ser mais fácil identificar aromas. Por outro lado o brasi leiro não se preocupa muito com medidas.O importante é que independente da forma, e da maneira que é obtido; cada brasileiro gosta e aprecia o café ao seu modo. Porquanto, assim como o vinho, o café ganhou complexidade, especificidade e defensores apaixonados e cá pra nós: nunca perderá sua elegância.
*Articulista

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