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Pacientes e funcionários do Souza Araújo bloqueiam BR-364

Protesto por melhorias na casa de apoio aos hansenianos

Por volta das 7h30 desta segunda-feira (18) pacientes e funcionários Casa de Acolhimento Souza Araújo bloquearam a BR-364, no quilômetro 14, na entrada da casa de acolhimento. Eles disseram que só saem do local quando forem ouvidos por algum representante do governo.

Uma fila enorme de veículos se formou de um lado e do outro do bloqueio. Um engarrafamento de cerca de 4 km. Os manifestantes estão deixavam passar apenas ambulâncias.

A colônia não recebe repasse do governo desde agosto do ano passado. Nesses últimos sete meses, a diocese assumiu a manutenção da casa, mas a igreja diz não ter mais condições de manter o local por questões financeiras e já acumula uma dívida de um milhão e duzentos mil reais. “Toda a equipe vem sempre conversando, mas não se revolve a situação, a gente teve que apelar pra isso aqui. O padre Jairo, com o Dom Joaquim, veio na casa de acolhida, e disse que ‘temos muitas dividas, os fornecedores ainda estão liberando alimentação porque confiam que a diocese não vai dar calote’, mas a situação não é nada boa”, disse a diretora da casa, irmã Celene.

Com a falta de repasse, os insumos já estão faltando.

Muitos desses pacientes foram levados ao local quando ainda eram crianças, nesses casos, eles não têm nem mesmo contato com parentes. Com a situação cada vez mais crítica, os pacientes temem que a casa de acolhida acabe fechada. “Nós estamos muito preocupados. Tanto as pessoas que moram aí, a gente que mora fora, precisa do hospital para fazer esse tipo de tratamento, as pessoas que tiveram hanseníase e moram aqui nessa comunidade. Se esse hospital aqui fechar, nós estamos numa situação delicada.” Comentou o paciente Dalcimar Pereira.

O interno Francisco Rodrigues lembrou ainda que além de não ter para onde ir, o preconceito ainda é muito grande, “agora a gente vai ficar na praça? Eu não tenho familiar, os tem moram longe, vieram me visitar uma vez, e fizeram 10 exames dizendo que já estavam leprosos só porque me viram.”

A Polícia Rodoviária Federal está no local para dar apoio e informaram que não vão obrigar ninguém a sair da BR.

Manifestação suspensa

Por volta das 10h30 os manifestantes suspenderam o movimento temporariamente após serem ouvidos por uma equipe da Secretaria Estadual de Saúde do Acre, Sesacre, que garantiu que até sexta-feira (22) vai pagar parte do atrasado e partir daí vai tentar regularizar a situação. O representante do Mohan disse que a manifestação foi suspensa temporariamente, caso os problemas não sejam resolvidos, eles voltaram a bloquear a BR.

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“Nós estamos muito preocupados. Tanto as pessoas que moram aí, a gente que mora fora, precisa do hospital para fazer esse tipo de tratamento, as pessoas que tiveram hanseníase e moram aqui nessa comunidade. Se esse hospital aqui fechar, nós estamos numa situação delicada.”

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