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Peixes da Amazônia está autorizada a vender para E.U.A

Empresa ainda tem muitos gargalos a superar

O Complexo de Piscicultura Peixes da Amazônia foi oficialmente certificado para exportar o pescado do Acre para os Estados Unidos. Segundo o secretário de Indústria e Comércio do Acre, Sibá Machado, a negociação durou cerca de 8 meses devido as normas adotadas do EUA.

“Foram oito meses, porque eles pedem muitos documentos, vão comparando as coisas. Eles olham tudo com muito rigor. Agora o Acre está autorizado a exportar peixe, claro que da Peixes da Amazônia, aos Estados Unidos”.

O secretário disse ainda que o Acre está apto a exportar para grandes redes. A Peixes da Amazônia tem capacidade para produzir 20 toneladas por ano e agora está operando com 20%, ou seja, 80% dessa produção aguarda a captação de novos compradores.

“Estamos avançando com as negociações com Peru, já está sendo feita uma entrega quinzenal para o Peru. E agora consolidou com os Estados Unidos e vamos tentar o mercado Chinês”.

A Peixes da Amazônia ainda não tem produtores integrados: quando a empresa fornece os alevinos, a ração e garante a compra do peixe. Esse sistema é utilizado pela Acre Aves e pela Dom Porquito.

É um sistema utilizado em grandes empresas do segmento de avicultura no Sul do país e garante aumento na escala de produção. A qualidade do produto da Peixes da Amazônia tem conquistado o gosto de muitos chefs da região Sudeste, o maior mercado consumidor do Brasil. O desafio é conciliar essa qualidade do produto com o aumento da escala.

Atualmente, a Peixes da Amazônia não tem condições de atender, exclusivamente com os piscicultores do Acre, à demanda dos prováveis clientes norte-americanos.
A direção da empresa, alega um dos cotistas, fez um plano de negócios que previa R$ 19 milhões para capital de giro. “Nós fizemos pedido de empréstimo no Basa e o Basa negou”, lamenta.

O cotista lembra que o sistema financeiro do Brasil não entende os contratos como garantia para empréstimo. “Os bancos só entendem o capital fixo como garantia. É como se tivéssemos uma Ferrari sem combustível”, compara.

Falta padrão na produção

Um dos gargalos da cadeia produtiva do peixe no Acre é a falta de padronização. Os tanques de cultivo (lâminas d’água) são muito fundas (algumas com pedações de paus ou até mesmo árvores), com mistura de espécies.

Isso aumenta os custos e prejudica o controle. As lâminas d’água tem que possuir no máximo (frisa-se: no máximo) dois metros de profundidade. Em cada tanque, deve haver uma única espécie.

Em cada lâmina d’água, o produtor tem o controle de quanto já foi colocado de ração, em qual período e quanto de peixe tem no tanque. A acidez da água e a temperatura também são acompanhadas.

Na hora da despesca, o produtor tem uma média de quanto de proteína é produzida em cada lâmina d’água.

“Já houve casos em que fomos fazer despesca em açudes de produtores famosos na região que nos garantiram que teria três toneladas, mas, quando tiramos os peixes não deu nem uma tonelada”, lembra um profissional que possui cota na Peixes da Amazônia. “Passamos mais tempo separando a espécie que nos interessava das demais do que efetivamente fazendo a despesca. Tudo isso é custo de produção”.

Produtividade

Outro fator que precisa melhorar é a produtividade. No Brasil, quando todos os fatores estão bem regulados, são produzidas 8 toneladas de proteína de peixe em um hectare de lâmina d’água.

Em Israel, país referência no mundo na produção de proteína de peixe, na mesma área de produção, chegam a ser produzidas até 100 toneladas.

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