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Pesquisadores resgatam importância do “mateiro”

Coleta de material exige diversidade de conhecimento

Pesquisadores da Universidade Federal do Acre preparam “mateiros” modernos que conseguem identificar plantas através de nomes científicos e são capazes de coletar amostras para descobrimento de novas espécies. Esses novos profissionais estão sendo chamados de “super-mateiros”.

No Acre, existem cerca de 4,5 mil espécies da flora que já foram catalogadas, mas podem existir 8 mil espécies. Ainda é um campo vasto e desconhecido para os biólogos.

Os pesquisadores Herison Medeiros e o parabotânico Gilson Oliveira estão sempre buscando novas espécies na mata.

O conhecimento, a partir da floresta, mexe diretamente com a economia do Estado. Um exemplo, hoje: o guaraná é usado em medicamentos e refrigerantes, mas apenas uma espécie é usada na fabricação.

Aqui na região há 50 espécies de guaraná. “Falta pesquisa para saber seu potencial econômico e nutritivo. Só que isso começa a partir dos estudos dentro da mata descobrindo toda a família do guaraná”, dizem os botânicos.

Mas, esse trabalho não é simples. O parabotânico Gilson Oliveira mostrou para
nossa equipe a dificuldade para buscar um galho e as flores de árvores altas. Ele tem um equipamento de escalada que permite buscar a amostra perfeita.

“Há 30 anos eu estou nesse serviço. Muito material na copa das árvores requer treino e conhecimento técnico. É preciso escolher o galho certo”, lembrou.
Depois de retirada, a amostra é envolvida em jornal é prensada num quadro de madeira, para depois ser identificada e enviada para pesquisa.

Segundo o biólogo Herison Medeiros, que tem mestrado em botânica, a cada seis coletas, geralmente se registra uma nova espécie.

Tão importante quanto catalogar e analisar a flora é preparar pessoas que possam conhecer a floresta. Graças a uma bolsa bancada pelo Jardim Botânico de Nova Iorque, Herison e Gilson, e outros biólogos estão ministrando cursos de mateiros para quem trabalha em manejo, reflorestamento e ou em identificação botânica. Já foram 4 cursos que preparam 60 pessoas, que hoje são chamadas de “super-mateiros”.

Quando se pensa em mateiro se imagina aquela pessoa que conhece os caminhos da mata. Para os biólogos, o super-mateiro, além de saber entrar e sair da floresta, conhece as plantas pelo nome comum e científico.

“A capacitação passa pelos estudos teóricos e práticos, como subir em árvores para fazer a coleta de forma correta” explicou.

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