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Pessoas com deficiência denunciam despreparo em concurso da Educação

Cerca de 20 mil candidatos disputam 2,5 mil vagas

A realização do concurso da Secretaria de Educação no último domingo, quando cerca de 20 mil pessoas disputavam as 2,5 mil vagas, teve com um de seus principais problemas o despreparo da empresa organizadora no trato com pessoas com deficiência. Pelo menos esta é a denúncia feita pela Associação Acreana de Interpretes, entidade responsável por auxiliar deficientes visuais e auditivos.
 
De acordo com Cristiane Nogueira, presidente da entidade, o problema surgiu logo no ato de inscrição, ao não se ter a opção de informar qual deficiência o candidato portava. Já no dia da prova a ausência de pessoas qualificadas capazes de prestarem assistência prejudicou a realização do concurso.
 
Pelo menos 20 portadores de necessidades especiais procuraram a associação para relatar os problemas. Além disso, não foi garantido o tempo adicional por eles terem mais dificuldades nas respostas das questões, o que exige um prazo maior para a conclusão da prova.
 
No caso dos surdos o problema ocorreu com a falta de pessoas com o domínio da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). Já os cegos enfrentaram dificuldades por não terem o auxílio de um técnico para a leitura das questões e a realização da redação.
 
Helintom Nascimento é um destes candidatos prejudicados. Ele afirma não ter tido como fazer uma boa prova por conta da falta de capacitação de seu ledor. Sentindo-se prejudicados, os candidatos com deficiência vão entrar com mandado de segurança pedindo a anulação de suas respectivas provas, e solicitar uma nova aplicação, desta vez com o devido amparo como manda a legislação.
 
Procurado pela reportagem, o secretário de Educação, Daniel Zen, afirmou que toda a legislação foi cumprida para assegurar os direitos das pessoas com deficiência. “Eles chegaram a fazer uma reclamação no Ministério Público, mas o próprio Ministério Público entendeu não haver problemas no edital, não houve violação da lei”, afirma ele.
 
O tempo adicional, segundo Zen, é garantido somente aos portadores de deficiência intelectual. “Eles estavam exigindo que os surdos tivessem a interpretação das questões, o que não pode. A função do instrutor é passar as orientações do concurso. O surdo tem todas as condições de ler e interpretar a prova”, pondera. Daniel Zen considerou estas reclamações uma “questão pontual num universo de 26 mil inscritos”  e disse respeitar o direito dos candidatos que se sentiram prejudicados de recorrer.

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