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Por que a redução nas refinarias não chega às bombas?

Doutor em Economia da Ufac esclarece os interesses

Dia após dia, nós consumidores nos deparamos com constantes variações (aumentos de forma geral) nos preços dos combustíveis. Inúmeras são as desculpas para justificar os vários aumentos e inúmeras são as desculpas para justificar porque as reduções de preços não são repassadas integralmente para o consumidor.

Assistindo aos noticiários, lendo as entrevistas de representantes das distribuidoras, do governo, dos sindicatos dos postos de combustíveis e outros, fica clara a propagação de meias verdades para explicar o motivo dos repasses integrais dos aumentos e não integrais das reduções de preços.

Nos cursos de Introdução à Economia e Microeconomia I das faculdades de economia, se ensina que existem bens que mesmo com aumentos de preços, o consumidor continuará consumindo a mesma quantidade ou terá uma redução do consumo inferior ao aumento de preço, ou seja, se o preço aumentar em 1%, o consumo reduz em menos que 1%, estes bens são chamados de “bens inelásticos”.

Vários bens são classificados como inelásticos, entre eles podemos citar: energia elétrica, combustíveis, ovos, pães, leite, bebidas alcoólicas, refrigerantes, produtos diets, remédios e outros do tipo. De forma geral, bens inelásticos são essências às pessoas ou por necessidade ou hábitos culturais.

O Governo Federal e os governos estaduais sabem quais bens são inelásticos. Em função disto, quando vão tributar estes produtos, tributam em alíquotas altíssimas! Pegue sua conta de energia elétrica e veja o valor dos tributos. Um refrigerante possui aproximadamente 40% de tributos, ou seja, a cada 10 latas de refrigerantes que você toma, 4 são de impostos, e se for latas de cerveja, a cada 10 consumidas, 5 são equivalem aos impostos embutidos.

Mas o que isso tem a ver com o preço dos combustíveis?

É simples, meu caro leitor, os combustíveis são inelásticos, e como seu consumo não irá se reduzi em função de aumentos de preços, quando o governo aumenta impostos, o empresário vai repassar integralmente este aumento de impostos para você! Por sua vez, quando o governo reduz impostos, esta redução não chegará a você porque os empresários se apropriam desta redução. A lógica é bem simples, se você consome 50 litros de gasolina por semana pagando R$ 4,50 por litro, caso o preço reduza para R$ 4,20, você provavelmente vai continuar consumindo 50 litros por semana.

Então, o que é melhor para o proprietário dos postos de combustíveis, vender 50 litros a R$ 4,20 ou a R$ 4,50?

A reposta você já sabe, leitor!

A política de preço para bens inelásticos é simples, se o governo aumenta impostos, os empresários repassam integralmente este aumento ao consumidor, e se diminui impostos, a redução não é repassada. Esta mesma lógica se aplica a redução de preço nas refinarias.

Com isso, eu quero dizer a você motorista, que a redução do preço dos combustíveis na refinaria, não causará, de forma geral, uma redução dos preços nos postos de combustíveis, e caso chegue aos postos, não será integral. Especificamente, no caso da gasolina, não haverá redução significativa em seu preço no Acre.

Rubicleis G. Silva é doutor em Economia e Tutor do Programa de Educação Tutorial de Economia da Faculdade de Economia da Ufac 

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