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Por que “o Mocinha” é um dos bairros mais violentos?

Esporte teima em ser contraponto da exclusão

No bairro Mocinha Magalhães, junto com a inauguração de um ginásio de esportes, veio a boa iniciativa de uma escolinha de futebol para crianças da comunidade. Mas, o espaço em pouco tempo já está em situação de abandono, trazendo desânimo para os idealizadores do projeto social, que visa mudar o foco dos meninos de tantos caminhos ruins.

“Só dele soltar o celular e sair da frente da televisão, meu Deus do céu, não tem coisa melhor”, afirma Maria Oliveira, mãe do Carlos Henrique, de 10 anos. Ela cola no alambrado do ginásio pra conferir as aulas do filho de perto.

O apoio é especial por que o menino que antes passava o dia conectado as telas, agora corre, brinca, chuta. “Muito bom! Pelo menos ele saiu de frente do celular, fico me exercitando, aí pelo menos tenho alguma coisa pra fazer”.
O menino sofre de vários problemas respiratórios, entre eles, a asma. Mesmo frequentando uma quadra empoeirada, ele encontra no futebol, um aliado à saúde.

E ele é consciente dos benefícios, que a atividade física traz. “Mudou minha coragem, velocidade, experiência, mudou tudo em mim”, explica.

Carlos Henrique é um dos 50 alunos da escolinha de futebol Futuro Brilhante. Ela surgiu este ano, com a inauguração do Ginásio Poliesportivo Sidney Lima de Mesquita, no Bairro Mocinha Magalhães, um dos mais violentos da Capital.

Quem administra a iniciativa com cunho social é José Alves, conhecido no esporte como Baé. “Eu tinha um sonho de uma escolinha de futebol, até por que passei por alguns clubes em Rio Branco e as pessoas perguntavam se eu não tinha coragem de montar uma escolinha. Eu digo: rapaz um dia que tiver oportunidade vou montar. Então tive apoio da secretaria de esportes com material e eu vou continuar assim”, explica.

As aulas com duração de 1 hora acontecem duas vezes por semana, nos turnos da manhã e tarde. Para quem sonha em ser jogador de futebol, o projeto é um ponta-pé-inicial. “Eu acho muito legal, sou criança, estudo muito, não tenho muito tempo pra brincar aqui na escolinha Futuro Brilhante. É uma oportunidade que eu tenho de investir mais em mim e em outros campos. Faz bem pra mim”, explica Guilherme Freitas de 11 anos.

O pequeno Riquelme Alves de apenas 8 anos, explica que em pouco tempo, conheceu muito sobre futebol. “Muitas coisas, tipo chutar, driblar, correr rápido. Acho muito bom”, disse.

Enquanto praticam esportes, os meninos fecham os olhos para algumas situações. O ginásio está cheio de sujeita, lixo e marcas de vandalismo. O vidro de uma das salas foi quebrado, cadeados das portas foram arrombados. Para a comunidade o espaço, inaugurado este ano precisava oferecer atividades o dia todo, para ser ocupado e não ficar no abandono.

“O que a gente espera é que as pessoas que estão na coordenação desse ginásio, tenha bom senso de arrumar material, chamar as pessoas para que possam fazer limpeza. A sujeira do jeito que tá, fica difícil trabalhar com as crianças, fica ruim pra saúde delas”, disse um dos apoiadores do projeto, Eli Alves.

Para piorar, como está desempregado, o treinador Baé talvez tenha que encerrar as atividades com a escolinha.
“Sozinho, sem apoio fica difícil e sem emprego mais complicado ainda. Aí não sei se vou fazer, se mês que vem vou continuar, se vou terminar com a escolinha. Não quero abandonar a escolinha. São 50 famílias, meninos que eu tô tirando do meio das drogas, bebidas, um monte de coisa, facções, essas coisas, então tô tirando os meninos do meio dessas pessoas né”, enfatiza.

Ter que ficar sem a escolinha de futebol é a notícia que a mãe do Carlos Henrique não quer dar ao filho. Os frutos do projeto estão fazendo a diferença no dia a dia do menino e isso ela não quer deixar ele perder. “Aqui não, ele tá conhecendo colegas, correndo, suando, chega em casa e diz: hoje tô morto, tô quebrado, hoje corri bastante. Quando ele vem eu assisto, filmo eles brincando. Pra mim foi bom, e pra ele mais ainda, pela saúde e pela convivência dos colegas”, afirma.

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