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Presos denunciam movimento para forçar uma rebelião

Mâe de detento, 69 anos, teme passar por novas humilhações

Os detentos do presídio Francisco D’Oliveira Conde e seus familiares procuram os veículos de comunicação para denunciar a violência que vem sendo praticada por agentes penitenciários dentro do complexo.

Uma senhora de 69 anos, que não vamos identificar, tem medo de passar por novas humilhações quando for visitar os dois filhos que são internos do presídio. Neste sábado, ela disse que nunca foi tão destratada pelos agentes no horário de visitas. Segundo a aposentada, depois que começaram as manifestações contra o governo do estado, nas quais pedem reajuste salarial e melhorias de trabalho, o agentes mudaram a forma de receber os visitantes. Para a mãe de dois detentos, a agressividade só tem uma resposta. “É uma tentativa de revoltar os presos para que façam motim e assim chamar a atenção da população. Mas já pedi aos meus filhos que tenham calma”, declarou.

A equipe do site Agazeta.net recebeu uma denuncia através, do “Fale Conosco”, na manhã desta segunda-feira, 14, dando conta das más condições que os presos estão enfrentando. O nome da fonte será preservado, pois ela tem medo de sofrer represália.

A. F. L disse que, além das péssimas condições em que se encontra o presídio da capital acreana, os presos estariam sofrendo maus tratos. Segundo os detentos contaram que as luzes do presídio estão sendo desligadas todas as noites, e quando os presos batem nas grades (que é uma forma de protesto) eles ficam no dia seguinte sem jantar.

Ela contou também que quando um preso está doente só é levado para a enfermaria se o caso for muito grave. “Fiquei sabendo que um preso passou um dia inteiro se sentindo mal, mas ninguém o levou para a enfermaria, desesperado ele começou a bater grade, só aí levaram ele pra ser atendido, mas quando foi liberado, os agentes o levaram pro corretivo.” Afirmou A.F.L.

Ainda, segundo a denúncia, as celas têm espaço apenas para quatro presos, sendo que na maioria delas chega ter até dez homens, em um espaço de mais ou menos de três metros quadrados.

 “Além disso, a comida é péssima, não tem verdura nas marmitas, o feijão é mais duro que pedra, até água esta faltando. O café da manhã é um pão com meio saquinho de café com leite, frio. Os presos já estão pagando pelos seus crimes, mas eles não são bichos para serem tratados assim, ” Disse a mulher, em desabafo.

Segundo A.F.L, as  mães e esposas do presos que foram no sábado ao local, para visita, se reuniram para falar com o diretor do presídio, mas foram atendidas por outra pessoa da direção, que negou a acusação do desligamento das luzes.

Os detentos conseguiram telefonar para a redação da TV Gazeta e AGAZETA. NET para reclamar. Um dos presos disse que o presídio está para estourar (rebelião) por causa dos agentes que desrespeitam os direitos dos presidiários e passam por cima das regras do Instituto de Administração penitenciária. Por telefone, o detento que não se identificou disse: “aqui eles disseram que quem manda são eles (agentes) e não a direção do Iapen). Precisamos que alguma autoridade faça algo”, relatou.

Os detentos estão reclamando que estão sendo espancados, falta comida, água e energia. Os parentes estão sendo desrespeitados na hora das visitas, só para atingir os detentos e desestabilizar o sistema.

O outro lado

O diretor o Iapen, Dirceu Augusto, explicou que a falta de energia e água não é culpa dos agentes. Na semana passada houve um problema na rede elétrica e o equipamento está em conserto e essa semana tudo estará resolvido. Quanto às outras reclamações, ele não acredita que seja para atingir o governo, mas, vai investigar.

Para o diretor, o erro dos agentes é fazer reivindicações nesse momento complicado por que passa o Estado. Com tantos prejuízos e preocupação com o abastecimento não se pode parar por causa de uma categoria.

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