250119-cotidiano-abrigo-em-ruinas

Ribeirinhos podem perder casa de apoio

Abrigo está em ruínas e pode ser fechado

A casa de apoio aos ribeirinhos fica atracada no bairro da Base. Construída para ajudar as famílias que não tem onde ficar quando chegam da área rural, a casa está em ruínas.

Na cozinha, a água da pia cai direto na madeira que serve como assoalho. No banheiro não existe mais a descarga e são vários os buracos no assoalho. Sujeira e muita tábua solta. O guarda corpo está solto, a qualquer momento uma pessoa desavisada pode cair no rio. Para sair ou chegar do barco existe apenas uma tábua.

Só que o mais grave vem debaixo. As boias de ferro de sustentação estão enferrujadas. Quando passa qualquer barco no rio, a água entra por uma enorme abertura que fica na lateral. Na outra parte a corrosão foi tão forte que formou um buraco que acumula água da chuva. A estrutura não afundou porque nas boias existem separadores.

Mesmo com todo esse risco várias famílias estão abrigadas no local. O Francisco Modesto de 69 anos, veio da reserva Chico Mendes para resolver um problema de documento em Rio Branco, está na casa há 18 dias e conta os problemas que vem enfrentando.

“Aqui necessita de uma recuperação. Na cozinha gás não tem, o banheiro agora foi remodelado aí, mas antes não podia nem entrar dentro que caía lá embaixo”, disse o idoso.

A Maria de Fátima Justino veio para Rio Branco do seringal Recife, foram 3 dias de viagem. Há 20 dias ela, o irmão, a cunhada e os filhos estão dormindo na casa. Quando chegaram, o local estava lotado. Dormiram no corredor. Ela conta que para tomar banho está usando a água do rio. O banheiro até pouco tempo atrás estava interditado. “Esses dias todinhos que a gente tá aqui a gente dormia na varanda porque não tinha canto pra a gente dormir. Água também não tinha, nós tomávamos banho na água do rio Acre.”

Maria veio em busca de conseguir documentos. Com 28 anos não tem sequer a certidão de nascimento e para conseguir o que veio buscar está custando caro.

O abrigo é de extrema importância para quem vem da área rural. A maioria dos barcos não tem cobertura e nem segurança, por isso as famílias precisam de um local para ficar.

Os barcos ficam ancorados e os pertences dos ribeirinhos espalhadas pela casa abrigo.

O Zé do Branco, como gosta de ser chamado, tem uma casa próxima ao barco, ele levou a equipe de reportagem da TV Gazeta para mostrar o que sobrou de um imóvel que pertence ao governo. Fica a menos de 50 metros do barco. O prédio onde já funcionou a secretaria de segurança e o Depasa poderia ser usado para receber os ribeirinhos.

Existe bastante espaço e seria mais seguro. Mas entra governo e sai governo e ninguém se interessa pelo projeto. “Aqui tem espaço. É grande e tem espaço pra muita coisa, é muito ribeirinho e aqui tem muito espaço”.

O Corpo de Bombeiros já fez vistoria no local e preparou um laudo sobre os problemas encontrados, como a tábua de acesso, a falta de iluminação e emergência, extintores e principalmente a corrosão das boias.

E como a situação só está piorando, os bombeiros podem voltar e até sugerir que o local deixe de ser usado por causa dos riscos de acidentes. “Fazer uma nova inspeção para produzir um laudo atual, porque eu estive lá já está com alguns meses.” disse o tenente coronel Otoni Miranda.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*