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Rio Branco acordou mais tarde nesta segunda-feira

Estudantes divergem sobre novo fuso horário do Acre

Às seis horas desta segunda-feira (11), primeiro dia útil, a cidade estava parada. Nas ruas, pouco movimento de veículos, pedestres e ciclistas. Há uma semana, neste mesmo horário, o cenário era o contrário.

As duas cenas fazem parte do fuso horário que foi alterado no sábado (10). O Acre e parte do Amazonas tiveram alteração. Os dois estados voltaram a ter duas horas a menos que Brasília. O projeto que estebelece essa diferença foi aprovado e sancionado em 30 de outubro pela presidente Dilma Rousseff. Com isso, o Brasil volta a ter quatro fusos horários.

O imbróglio das horas iniciou em 2008, com a aprovação da Lei 11.662, que reduziu o fuso a apenas uma hora a menos em relação a Brasília. A mudança, proposta pelo então senador Tião Viana (PT-AC), hoje governador do Acre, não agradou os acreanos e porque não houve consulta popular.

Na época, a mudança foi sob a justificativa de que a população sofria prejuízos econômicos, sociais e culturais por causa da diferença de duas horas em relação ao restante do país. 
Tião Viana pouco se pronunciou sobre o assunto. Durante uma entrevista coletiva na Casa Civil, logo quando Dilma aprovou o projeto, ele disse “já ter feito tudo que podia fazer para o Acre estar atualizado” e considerou a volta do horário “uma questão eleitoreira”.

Já o irmão de Tião Viana, o senador Jorge Viana (PT-AC), em sua página oficial do Facebook, se prounciou que “o ideal era ter sido feito uma consulta antes da mudança ou uma melhor adaptação do funcionamento dos serviços públicos, escolas, comércio e etc.”.

Jorge Viana disse considerar também uma questão eleitoreira da oposição, mas que, no Senado, trabalhou para que fosse cumprida a decisão da população via referendo.

Referendo
Em 2010, eleitores do estado participaram de um referendo e 39,2% dos eleitores pediram o retorno à hora antiga, enquanto 29,7% eram favoráveis à manutenção do fuso horário em vigor.

Após dois anos engavetado na Câmara e Senado, semana passada, o projeto das duas horas de diferença foi aprovado e sancionado pela presidente Dilma Rousseff.

“Não havia necessidade dessa mudança de horário. O correto seria fazer um plebiscito para saber se o povo do Acre queria mudar de horário ou não. Como não feito, agora vamos fazer valer a vontade do povo acreano. Quem venceu foi a democracia, a vontade do povo prevaleceu. Não vou mentir, estou feliz e vou comemorar. Valeu a nossa luta”, disse o senador Sérgio Petecão (PSD-AC) ao defender a aprovação do projeto.

Estudantes divergem opinião sobre novo fuso horário do Acre

O novo fuso horário do Acre mudou a rotina nas escolas e divide a opinião dos alunos sobre qual o melhor horário para chegar e sair. Entre os educadores também há quem goste e quem não goste da mudança.

O primeiro dia na sala de aula depois da mudança no fuso-horário foi de muitos comentários sobre a rotina que foi alterada.  Para Kelvin, do terceiro ano do ensino médio, o novo horário trouxe mais tempo para descansar e tranquilidade para chegar ao colégio. “Achei melhor devido ao sono ser mais prolongado e evita o atraso escolar”, afirma.

Segundo a inspetora da escola, mesmo com uma hora a mais de sono, houve quem chegasse atrasado. Ana Luiza é enfática em dizer que não gostou da mudança. “Prefiro o outro até por que a gente fica atrasado em relação a outros Estados”, disse.

Essas são algumas opiniões de alunos do turno da manhã. Agora Danilo Silva, comenta que quem estuda a tarde tem outros motivos para não aprovar o novo horário. “Minha irmã estuda no período da tarde e quando sair da escola já vai estar escuro, então vai corre um certo risco”, afirmou.

Se tudo foi definido através de um referendo por que não fazer outro para saber a opinião atual da população? É o que sugere a estudante Noamy Arantes. “Eu acho que deveria ter outra votação”.

A opinião dos estudantes também diverge sobre o horário de saída da escola. Algumas turmas saem as 12:45 e esse horário para alguns é desgastante em função do calor, outros acreditam que uma hora a mais ou uma hora a menos não faz diferença no calor.

Entre os professores, também há quem goste e quem não goste do novo fuso. Para a professora de inglês,  Rosana Fontana, ele gera transtornos no aprendizado. “Chegar na escola com o sol alto, um calor maior acaba se tornando prejudicial e no final da tarde os alunos vão estar saindo no escuro, acarretando perigo pra eles”, opinou.

Agora para a professora de português, Maria D’ávila, com mais tempo para dormir, a produtividade dos alunos tende a melhorar. “De imediato a gente percebe disposição no rosto dos alunos. No horário que acabou de sair os alunos chegavam com sono, alguns até dormiam e isso estava atrapalhando o aprendizado”, afirmou.

Assim como gerou polêmica a primeira alteração no horário, depois a demora na aplicação do referendo, a tendência é que mais uma vez nos acostumemos a nova rotina.

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