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Salgadinhos: geração de renda, identidade e produto barato

Saltenha e quibe garantem sustento de muita gente

No final da tarde, quando a fome aperta, muita gente recorre ao salgado frito. E nos bairros de Rio Branco, opção é o que não falta. Além de saciar a fome, eles fazem bem ao bolso dos consumidores, que, em geral, pagam apenas R$ 1 por unidade do produto.

Que fritura não faz bem para o coração isso, todo mundo já sabe. Mas… “Tem que comer razoável, uns dois”, sugere o cliente Nil Pinho.

Para alguns é um vício, para outros, um mal inevitável na hora que a fome aperta. O salgado frito é uma opção saborosa, rápida e econômica e faz o maior sucesso nos bairros de Rio Branco.

Dionísio Gomes apostou na ideia há 2 anos e não se arrepende. O ponto dele, no bairro São Francisco, lota de pessoas no fim da tarde para garantir o lanche ou até mesmo o jantar.

“Hoje vou levar uns três só, para merenda. Lá em casa só são três. Gosto de saltenha e pastel de carne”, disse Daiane Rodrigues.

Dionísio trabalha há muito tempo fabricando salgados e agora, como patrão, confere todas as etapas da fabricação. “Eu faço já há 17 anos. Então, procuro fazer um salgado de qualidade para agradar ao cliente”, explica.

A R$ 1 cada, é fácil encher uma sacola para levar pra casa. Mas, Dionísio está sentido que precisa aumentar e, no ano que vem, as frituras podem ficar com o preço um pouco mais salgado. R$ 1,50 é o preço que o empreendedor estuda aplicar. “Tudo subiu. Aumentou a gasolina, o gás, a carne, o trigo”, explica.

A produção no dia a dia para fabricar os salgados começa cedo, às 5 da manhã, e vai até 1 da tarde, quando simultaneamente iniciam as vendas. Até 6 da tarde, muitos pastéis, quibes de arroz e saltenhas são fritos e vendidos.

No centro de Rio Branco, outro ponto de venda de salgados que fica em frente à Biblioteca Pública faz sucesso. Os diferenciais são os mais de 10 sabores de pasteis e a saltenha de jambu com tucupi.

A lembrança do Tacacá é inevitável e para quem gosta do efeito de dormência na boca, o sabor é muito bom.
Quem frequenta o local, gosta da diversidade de sabores. O negócio de família surgiu há três anos e emprega hoje duas pessoas. São vendidos, em média, 200 salgados por dia, ao preço médio de R$ 3.

Outra história de sucesso fica no Bairro Vitória. Há 11 anos, Maria do Carmo decidiu que deixaria de ser empregada doméstica para cuidar do próprio negócio. Na mesma época, a mulher passava por um processo de separação conjugal e o sentimento que predominava era o medo de errar.

“Eu enfrentei com muito medo porque não tinha experiência. Nunca tinha visto nem fazer. Eu não fiz curso, não fiz nada e fui colocando a mão na massa mesmo. Aprendi só e montei meu negócio”, explica.

No início, ela foi vender salgados na frente das escolas e nas ruas. Há 4 anos, ela conseguiu se estabelecer em uma das esquinas do bairro, na calçada, com pedaços de lona e poucos materiais. Como é até hoje.

Ela afirma que o bom atendimento é a estratégia para vencer a concorrência. Hoje, ela sustenta a família. São 7 pessoas que sobrevivem da renda dos salgados. Os adultos trabalham com Maria, mas ela leva tudo com mãos de ferro.
“É um pouquinho legal e um problemático por que tem horas que um quer fazer de um jeito o outro não. E eu mantenho tudo do meu jeito, por isso que tem dado certo até hoje”, explica.

Além de dar uma lição sobre empreendedorismo, já que se mantém há mais de uma década no mesmo ramo, Maria não abre mão da compaixão. Pergunto a ela sobre o preço do salgado, vendido a R$ 1, se não é muito barato. Veja o que ela responde.
“Eu imagino assim: tem muita mãe que não tem o dinheiro para dar três reais ou quatro reais em um salgado, ou um real e cinquenta centavos e chegando aqui, enche a barriga do filho com dois reais”, diferencia. Maria faz referência ao lanche completo do ponto. Um salgado e um suco saem por R$ 2.

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