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Sem recursos há seis meses, Souza Araújo agoniza

Repasses do governo do Estado estão atrasados

Onde está o recurso do convênio? Essa é a pergunta que fazem pacientes e direção da Casa de Acolhida Souza Araújo, onde são tratados pacientes com hanseníase e outros ferimentos. Com falta de materiais básicos para fazer curativos, a comunidade pede respostas ao poder público.

Para driblar a crise de material, profissionais de saúde da Casa de Acolhida Souza Araújo estão adaptando. Eles confeccionam gaze com malha ortopédica, produto que é usado para imobilização, muito comum em casos onde a pessoa quebra o braço e precisa usar gesso, por exemplo.

Para os pacientes, é lamentável ter que usar um material que não é indicado e que pode retardar o tratamento. “Ele machuca, não segura nos pés da gente, não é o material adequado que precisamos hoje”, comenta o paciente Alcimar Pereira.

Segundo a direção da casa de acolhida Souza Araújo, o problema não é de hoje. Mesmo com convênio com a secretaria de Estado de Saúde, o repasse não chega há mais de 6 meses. Enquanto isso, a Diocese está arcando com o pagamento de 13 funcionários, medicação e insumos.

A Comunidade Souza Araújo é administrada pela Diocese de Rio Branco, mas a manutenção é, na prática, custeada pelo Estado. O local é uma grande unidade de saúde para pacientes em tratamento da Hanseníase e outros ferimentos na pele, mas funciona como suporte básico. Oferece atendimento médico e de enfermagem, além da acolhida para quem mora no local. Hoje são atendidos 43 pacientes.

O que preocupa além dos custos com folha, é a falta de materiais básicos como gaze e esparadrapo. A malha ortopédica transformada em gaze veio do estado, numa grande remessa, de forma errada.

“A enfermeira chefe é responsável por organizar a lista e fazer os pedidos, mas muitos vinham com defasagem em medicamentos. A gente pedia certa quantidade e vinha em estoque zero e ultimamente ela não está conseguindo receber o material que é solicitado”, explica a diretora administrativa da casa, irmã Francisca Vieira.

A falta de materiais básicos preocupa quem precisa de atendimento. “A gente tem ferimento de terceiro grau, aqui se interna pra tratamento e agora chega e não tem material adequado pra fazer curativos. Tem muitos ferimentos expostos, e não pode por que se sentar uma mosca, cria e fica pior”, conclui Pereira.

Muitos pacientes com hanseníase passaram pelo trauma da amputação e alguns deles hoje usam prótese. Como o caso de Leandro Barbosa que também faz uma alerta a respeito da oficina ortopédica do Estado. Segundo ele, também faltam materiais para confecção e manutenção de próteses.

“A gente pede que não deixe acabar como acabou-se em Cruzeiro do Sul. Por que aqui já tá no caminho já, então a gente pede pras autoridades resolver por que se tem dinheiro em caixa, então por que não compra?”, questiona.

Governo responde

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) mantém com o setor de Obras Sociais da Diocese Acreana um termo de subvenção social que disponibiliza repasse mensal a ser dividido entre as comunidades terapêuticas e a Casa de Apoio Souza Araújo. O último repasse ocorreu em 20 de março deste ano e o próximo repasse está previsto para ocorrer até o dia 20 de abril.

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