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Semana de Conscientização sobre Autismo: Acre no debate

Equoterapia é utilizada em alguns casos específicos

Esta é a semana dedicada à conscientização sobre o autismo. Diversas atividades serão realizadas ao longo desses dias para discutir e refletir sobre o Transtorno de Espectro Autista (TEA), mais conhecido como “autismo”.

Nossa equipe se antecipou a programação, mostrando como funciona uma das formas de tratamento, dedicadas ao público autista: a equoterapia.

Equoterapia é um método terapêutico e educacional, que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem multidisciplinar e interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiências e/ou necessidades especiais.

Em Rio Branco, a Associação dos simpatizantes e praticantes de equoterapia do Acre, oferece gratuitamente, a um grupo de 30 crianças com autismo, sessões da terapia. As atividades acontecem no rancho Porta do Céu. Os proprietários abriram o espaço para apoiar a iniciativa que conta ainda com o acompanhamento de uma psicóloga e um fisioterapeuta.

A proposta surgiu com a presidente da associação de equoterapia, Shirlei Lessa, que sentiu a necessidade dentro da própria família. “Eu tenho um filho que tem a Síndrome de Keppel Feil, e aí eu sei da importância das terapias. O meu filho não chegou a fazer equoterapia por que a síndrome dele não permite que faça. Como entendo que as terapias fazem superar, decidi me envolver com equoterapia e dar oportunidade para outras crianças terem um maior crescimento, maior desenvolvimento”, explica.

Shirley é ainda vice-presidente da Associação Família Azul do Acre (AFAC), que reúne pais, mães e amigos de pessoas com autismo. Um trabalho auxilia o outro.
Foi através da Família azul que o pequeno Davi de 5 anos passou a participar das sessões de equoterapia. A mãe Claire Carvalho acompanha o passo a passo da evolução, orgulhosa do filho. Claire descobriu que Davi tinha autismo, aos 6 meses de vida da criança. Mas só procurou ajuda profissional quando ele completou 2 anos e meio.

“Eu gostaria de acreditar que era uma fase, seria atraso de linguagem, mas em relação ao autismo, não passaria na minha cabeça, por que na verdade nós mães nós não gostaríamos de aceitar o filho como autista”, explica.

Com o passar do tempo, a mãe incomodada pelo atraso na fala do filho procurou uma neurapediatra e depois foi encaminhada ao neuropsiquiatra que diagnosticou Davi com autismo em grau leve.

Ela se arrepende em não ter iniciado os métodos terapêuticos com antecedência, mas investe tempo e recursos em oferecer o que está ao alcance para ver o filho, principalmente melhorar a fala. A equoterapia tem sido surpreendente, segundo Claire.

A partir do momento que iniciou esse contato com o cavalo, ele passou a ser uma criança mais atenciosa. O psíquico dele passou a ficar mais tranquilo. Ele passou a dar atenção”, afirma.

Davi melhorou a concentração e passou a interagir mais, com a equoterapia. E isso segundo a psicóloga, Sarah Darub, são alguns dos objetivos da terapia que usa o cavalo. Durante a sessão, a profissional usa brinquedos, que ajudam a estimular a criança em vários aspectos.

“Esse método onde ele treina as pinças da mão, a coordenação motora. A argola é o momento de se socializar com outras pessoas, ele vai escolhendo as cores”, explica.

Segundo o fisioterapeuta Deyvd Anntony, em cima de um cavalo a criança recebe de 800 a 900 estímulos neurológicos a mais e os benefícios são comprovados. “A gente utiliza as três marchas do cavalo: ele faz uma marcha que chega próximo à marcha humana. Então, a gente utiliza uma das três para cada tipo de patologia. Para autismo é um trabalho mais psicomotor, junto com a fisioterapia e pedagogia e a interação do animal com a criança”, afirma.

A união de forças, conhecimento e experiência marca o trabalho desse grupo. “Eu me sinto muito realizada, porque eu os ajudo a se desenvolver”, finaliza Shirlei.

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