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Soja entra na agenda da gestão do Governo do Acre

Sem consenso no Governo, soja tem apelo econômico

O que é riqueza em outros estados é ponto de discussão no Acre. De um lado os defensores da viabilidade da soja. Do outro, a discussão dos danos ambientais que a produção pode causar.

Na Amazônia, cada propriedade só pode desmatar 20%. Essa é a área para plantar ou criar gado. O resto, ou seja, os 80%, integram a Reserva Legal.

Como dos 48 mil imóveis rurais do Estado, apenas mil são grandes propriedades. Com esse perfil, o Acre não tem grandes espaços para plantações de soja.

Os grandes produtores querem resolver esse problema organizando os pequenos em cooperativas. “Pelo ideal que a gente assiste muito no Paraná, Santa Catarina e até no Rio Grande do Sul, é o modelo de cooperativas. Cooperativas que nasceram lá pequenas hoje são muito importantes, exportam muito, faturam muito e as cooperativas têm capacidade de organizar”, disse o presidente da Associação de Agricultura e Pecuária, Assuero Veronez.

Para a Secretaria de Meio Ambiente (Semeia), os pequenos produtores sem estrutura para plantar a soja vão apenas arrendar as terras. Isso cria um fenômeno que é empurrar o desmatamento. Aumenta a pressão pelo desmate.

O Estado tem uma política de apostar na agricultura familiar e a soja é vista com desconfiança. “Cientistas na Amazônia tem identificado que a soja, onde ela se instala, arrasta o desmatamento para regiões mais longínquas da logística mais favorável, isso também é um importante que tem que ser trabalhado”, explicou secretário adjunto de Meio Ambiente, João Paulo Mastrangelo.

No Acre, as terras propícias para o plantio de soja ficam entre Capixaba e Rio Branco e se estendem até Boca do Acre no Amazonas, onde o solo é bom e plano. A Federação da Agricultura defende o plantio como a melhor saída econômica para o estado na área do agronegócio.

Os portos para o escoamento da soja ficam a 500 quilômetros, em Porto Velho. A venda é garantida com pagamento a vista. “Todas as grandes compradoras de soja, chamadas tradings, estão instaladas em Porto Velho. Então é um produto que tem enorme liquidez. Colheu aqui, 500 quilômetros você está entregando”, pontuou Veronez.

Para o responsável pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Edegard de Deus, a soja necessita de grandes quantidades de agrotóxicos que trariam a destruição do lençol freático e a destruição de produções em propriedades vizinhas.

“Ao longo desses anos, o governo vem incentivando culturas que vêm trazer um benefício ao pequeno produtor rural. Quanto à soja não existe uma restrição do ponto de vista legal, aquele agricultor que quer plantar a soja ele vai plantar, só que não existe um incentivo por parte do governo para essa agricultura aqui no Acre”.

Hoje, o Acre tem mais de 20 mil hectares de área plantada de soja, mas são apenas laboratórios. Os produtores estão testando as variedades para saber qual se adapta melhor ao solo da região.

A previsão é que no ano que vem tenham multiplicado as áreas plantadas já prontas para buscar mercado.

A Secretaria de Agricultura até já fala em incentivar a cultura que pode mudar o cenário das propriedades do Estado. “A soja é viável no Estado, nós precisamos da soja, precisamos baratear o custo da ração e precisamos produzir para baratear o custo da ração. Nós falamos em auto sustentabilidade”, disse o secretário de Estado de Agropecuária, José Reis.

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