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Tríplice fronteira: sem fiscalização policial e sanitária

Segurança sanitária e policial deveria ser reforçada

A ponte da integração que interliga Brasil e Peru pelo Acre, juntamente com a Estrada do Pacífico, se consolidou como rota de migração para o Brasil. Só este ano, 22 mil imigrantes, a maioria haitianos, passaram por Iñapari no Peru rumo a cidade acriana de Assis Brasil.

Entram em solo brasileiro sem nenhuma dificuldade ou barreira policial ou sanitária. A fronteira está completamente aberta para os estrangeiros. Isso explica porque é uma rota do tráfico de drogas: existe a ausência do Estado quando se fala em fiscalização.

Na Alfândega Brasileira, que fica a 1 quilômetro da Ponte da Integração, os imigrantes passam livremente. Só não passam despercebidos por causa do trabalho da Igreja Católica que está entregando panfletos aos imigrantes explicando qual rota devem seguir para chegar a Rio Branco.

Quando nossa equipe de reportagem chegou, irmão Clarice, da ordem dos franciscanos, explicava a dois jovens haitianos o valor que o taxi cobraria até a cidade mais próxima onde encontrariam a sede da Polícia Federal.

Os haitianos embarcaram e se dirigiram a Epitaciolândia, distante 110 quilômetros, onde vão pegar o visto de entrada. Essa é a rotina todos os dias na fronteira, uma média de 50 imigrantes chega ao Brasil via Estrada do Pacífico.

A rota começou em 2010 com os haitianos. Atualmente são dominicanos e africanos de vários países. Em uma sala da Polícia Federal, um grupo de 40 haitianos espera o visto. Com o documento na mão, viajam mais 230 quilômetros até chegar em Rio Branco, no abrigo mantido pelo Governos Federal e pelo Governo do Acre.

Mesmo aqui não fazem exames, e só vão receber tratamento médico se apresentarem sintoma de alguma doença. Do abrigo vão seguir para o Sudeste do país em busca de emprego.

“Não tem como manter o controle de todos os imigrantes”, disse um dos diretores da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Russelino Gomes. “Muitos africanos não passam pela Polícia Federal em Epitaciolândia. Quando eles têm dinheiro nem param em Rio Branco, vão direto para São Paulo em busca de emprego”, concluiu.

O medo

Com a fronteira livre para qualquer estrangeiro, ficou fácil também a entrada de doenças. A Secretaria de Estado de Saúde do Acre vinha preocupada com a febre chikungunya. Existem casos da doença no Haiti, de onde chega a maioria dos imigrantes. O vetor da chikungunya é o mosquito da dengue, tão comum no Brasil.

Agora existe o receio da entrada do vírus ebola. Com um caso no Senegal, acendeu o sinal de alerta na fronteira com o Acre, rota dos senegaleses. Só esse ano entraram 1.100 senegaleses. Os funcionários da Receita Federal chegaram a pedir que esses imigrantes fossem examinados na fronteira, mas eles continuam passando livremente.

A secretária de Estado de Saúde, Suely Melo, é contra a criação de uma espécie de quarentena. “Não podemos ferir o direito das pessoas de ir e vir, além disso como faríamos esse trabalho? É uma coisa muito complexa”, explicou Melo. Quanto à fiscalização da fronteira, o Governo do Acre informou que não é papel do Estado, mas, da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O responsável pela agência no Acre está viajando. Mas, é só ir até a fronteira que dá para notar que não existe nenhum tipo de fiscalização.

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