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Vendedora de tapioca faz sucesso no centro de Rio Branco

Dona Mazé é mais uma acreana que merece homenagem

Quem passa de manhã pela Praça Eurico Dutra, localizada no centro de Rio Branco, de longe sente o cheiro de tapioca, café, Nescau, pão com manteiga e mingau de banana. São esses os alimentos que dona Maria José Silva de França, de 53 anos, ou simplesmente Mazé, como é conhecida pelos clientes, comercializa todas as manhãs.

Tudo começou nos anos 80, quando seu Francisco Félix, marido de Mazé, conseguiu uma barraca e passou a vender café da manhã próximo à Praça da Revolução. Dona Maria José acompanhava o marido todas as manhãs, enquanto ela fazia a tapioca, ele passava troco e atendia os clientes. Com o passar do tempo, o casal se mudou para o estacionamento em frente ao Banco do Bradesco, na Praça Eurico Dutra.

Por causa de um problema de saúde, seu Francisco precisou se afastar da barraquinha de venda e Mazé teve que assumir a direção dos negócios. É através das vendas das tapiocas que ela tira o sustento da família, pagar uma funcionária e ainda conseguiu reformar a casa com o dinheiro que economizou.

Moradora do bairro Quinze, a ambulante atravessa todas as manhãs à cidade trazendo o seu delicioso café da manhã para vender. Ela conta com a ajuda do filho de 17 anos para trazer o carrinho onde coloca os alimentos e montar a barraca. Dona Mazé trabalha de segunda a sexta-feira das 5 às 10 horas da manhã, faça sol ou chuva à clientela é fiel.

“Quando me casei o Francisco já trabalhava vendendo café da manhã, então eu passei a ajudar fazendo tapioca, mingau de banana, nescau e etc. Quando ele ficou doente, eu continuei vindo, tinha que sustentar a família porque na época as crianças era pequenas e nossa única renda era a venda das tapiocas”, conta dona Mazé, que durante toda a conversa fica de um lado para o outro passando troco, anotando pedidos e dando bom dia para quem chega.

Entre todos os alimentos que dona Mazé vende, a mais famosa é a tapioca. Ela conta que gasta em média por dia uns 20 quilos de goma e na maioria das vezes ainda falta. Ao ser questionada sobre o segredo do sucesso, dona Mazé abre um largo sorriso e conta que faz tudo com muito amor.

“Trabalho nisso há muito tempo, gosto muito do que faço, gosto das pessoas que freqüentam minha barraquinha, sempre procuro atender bem, com carinho e dedicação. Vem gente de todos os lugares da cidade comprar minha tapioca, vendo pro pessoal dos bancos, da Assembléia Legislativa, das lojas, escolas. Mas, acho que não tem segredo, faço com amor e carinho só isso”, diz a ambulante.

Com o dinheiro das vendas, Maria José paga luz, água, compra os alimentos para casa, os alimentos para vender, paga o aluguel da garagem onde deixa a barraca, dar uma mesada para o filho que lhe ajuda e paga um salário para a funcionária e amiga de longa data Jenema Aiache, mais conhecida como Duda.

Foi com esse dinheiro que ela conseguiu realizar o sonho de reformar sua casa. Toda a reforma durou mais de dois anos para ser concluída, porque ela tinha que juntar o dinheiro aos poucos.

“Graças a Deus não tem faltado nada. Não ganho muito, mas Deus tem me abençoado. Consegui com muita luta terminar minha casa, demorou, mas finalmente ficou pronta”, finaliza.

Fase ruim

No ano passado, dona Mazé descobriu que tinha um nódulo no seio esquerdo. Quando visitou o médico, foi proibida de ficar perto do fogo e não pode mais fazer suas tapiocas. Foi nesse momento que a amiga Duda, natural da cidade de Umuarama, Paraná, que antes ficava passando o troco pros clientes, teve que aprender a fazer as tapiocas.

“Já conhecia a Duda deste que ela chegou ao Acre, tem uns vinte e três anos. Ela lavava roupa pra fora, daí cheguei pra ela um dia e perguntei se ela queria trabalhar comigo. Quando adoeci, ela teve que aprender a fazer tapioca, disse pra ela ‘Duda ou você aprende a fazer tapioca e ou não trabalha comigo’, porque ela tinha medo que as pessoas não gostassem da tapioca dela”, conta aos risos dona Mazé.

Mesmo depois do tratamento e de uma viagem a cidade de Goiânia, para fazer uns exames, Maria José preferiu não arriscar e continuou a passar o troco, deixando Duda na beira do fogo com as tapiocas.

“Eu tinha muito medo quando comecei, quando chegava aquele monte de gente me dava um desespero, quando a Mazé viajou tive que perder o medo, agora ta tranquilo”, explica Duda.

Quando é perguntada qual o seu maior desejo, dona Mazé diz que gostaria muito de ter um ponto de comercio, equipado e coberto para poder vender seu café.

“Queria muito que o Prefeito me desse um lugar para vender meus alimentos. De preferência por aqui mesmo, porque a maioria dos meus clientes são todos daqui de perto. Quando chove é difícil ficar aqui, porque fico numa vaga do estacionamento, só é coberto com a barraquinha”, finaliza a vendedora.

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