Assaltos: delegado “desabafa” sobre fragilidade da lei

Mais um assalto durante a madrugada foi registrado nesta terça-feira (27) em Rio Branco. Segundo o vizinho das vítimas, os bandidos se comportaram com naturalidade, com postura de profissionais do crime. O delegado que investiga o caso desabafa sobre o perfil do criminoso que rouba e afirma que a lei é benéfica para os assaltantes.

Desta vez, um casal do bairro Tucumã foi vítima da ação dos bandidos. Antes de render a família, os assaltantes tiveram a ousadia de comer o que tinha na geladeira. Eles ainda esperaram até que as vítimas acordassem, para revirar a residência.

O casal foi rendido e em seguida, os marginais reviraram a casa. Conseguiram roubar cerca de R$ 30 mil reais e um carro. O veículo foi abandonado e em seguida recuperado pela Polícia Militar. O vizinho ouviu do casal assaltado que a atitude dos marginais indica que eles são experientes no assunto. “Tenho certeza que todos os que participaram já foram presos outras vezes.  Eles me contaram que os bandidos estavam calmos, sabiam o que estavam fazendo, frios e calculistas. Além disso, intimidaram com armas, pistolas”, relata o funcionário público, vizinho da vítima.

Como os assaltantes estavam de luva, o trabalho da perícia pode ficar prejudicado. A delegacia anti assalto investiga o caso. Segundo o delegado Carlesso Nespoli, da delegacia anti assalto, a semelhança com outros casos não indica que sejam os mesmos assaltantes, por que vários grupos em Rio Branco adotam a mesma postura durante os roubos à residência. O que pode haver em comum, para o delegado é o perfil dos criminosos, assim como relatou o vizinho da vítima: sempre são assaltantes reincidentes. “Eu posso garantir que cerca de 80% das pessoas que nós prendemos aqui foram presas por crimes de roubos, assaltos. São soltos, ganham benefícios da lei e obviamente voltam a assaltar. Não vão procurar trabalho, enxada para carpir, vão procurar arma de fogo pra assaltar”, opina.

Outra crítica que o delegado faz é quanto o regime semiaberto, que, segundo ele, é mais uma ferramenta que os criminosos usam para confrontar a sociedade. “Até eu poderia ficar no regime semiaberto. O cara só vai lá pra dormir e volta pra rua. É como o cidadão comum, trabalhador. Só que isso beneficia os assaltantes porque voltam a praticar roubos”, completa.

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