Ex-secretários e prefeita devem ser ouvidos sobre descarte irregular no aterro

Polícia Civil também vai chamar os responsáveis pela Engelux

A Polícia Civil começou a escavação em outra parte do aterro de inertes, em Rio Branco. Informações que chegaram ao delegado Judson Barros apontam que no local existem mais lâmpada, reatores e relés, materiais esses que foram retirados da iluminação pública e jogados no aterro durante a troca dos equipamentos quando a capital acreana começou a instalação da iluminação de led.

Na última semana a polícia descobriu 1.200 peças, sendo 140 lâmpadas enterradas em outros setores. Eles descobriram também que oito carradas foram despejadas em diversos pontos do aterro, mas como foram cobertas em várias camadas será impossível chegar a todo o material que é radioativo.

“Estamos escavando nesse novo local, mas aqui já está muito profundo. Muito material foi colocado por cima e é possível ver que a altura do entulho retirado passa de 4 metros, mas precisamos continuar as escavações aqui e em outros locais para ver se encontramos mais materiais”, explicou o delegado Barros.

Assim que concluir as buscas pelo material o delegado pretende ouvir todas as pessoas responsáveis pela troca das lâmpadas e também pelo aterro. Na lista estão os ex-secretários de Zeladoria, Keliton Carvalho, e do Meio Ambiente, Aberson Carvalho de Souza.

Também vai ter que se explicar a ex-prefeita de Rio Branco, Socorro Neri, já que estava à frente do projeto de troca da iluminação pública e tem suas responsabilidades. Todos podem ser indiciados por crime ambiental.

“No meu ponto de vista a Prefeitura é a gestão pública principal no momento em que ocorreu essa situação. Eles têm, em última estância, a responsabilidade de saber o que está acontecendo. Ouviremos todas as pessoas para que não exista injustiça na hora da produção do relatório e de pedir o indiciamento”, afirmou o delegado.

A polícia também vai chamar os responsáveis pela Engelux, o consórcio formado para instalação das lâmpadas em Rio Branco. Os investigadores querem saber se foi a empresa que jogou diretamente o material no aterro, ou se recebeu autorização do Poder Público para cometer esse crime ambiental.

Na época dos incêndios a Prefeitura dizia que as pessoas estavam jogando lixo doméstico no aterro, quando na verdade eles próprios eram quem contribuíam para que o local se transformasse em uma bomba, quando jogavam material elétrico, por exemplo. Hoje é preciso encontrar esses relés e lâmpadas, e evitar que um incêndio chegue até esse material, porque o fogo ficaria incontrolável.

Agora, a Secretaria de Zeladoria corre para fazer a limpeza do mato que fica próximo ao aterro. Com a chegada do período mais seco são várias as queimadas na vegetação que terminam alcançando os materiais no local.

Informações de Adailson Oliveira para a TV Gazeta

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