Indígenas têm cartões de benefícios retidos por comerciantes

De acordo com lideranças, crime é comum no interior do Acre

A denúncia partiu de Ninawa Huni Kui, um líder indígena que busca uma saída para acabar com a exploração das comunidades que vivem nos municípios de Feijó, Sena Madureira e Manoel Urbano. Os comerciantes desses municípios continuam retendo os cartões das aposentadorias e do Bolsa Família dos indígenas.

Os comerciantes agem da seguinte forma, retém o cartão do indígena com a senha e sacam o dinheiro. A partir disso, os comerciantes criam uma conta no comércio onde vendem os produtos com preço três vezes acima do valor e dizem ao indígena que a conta dele é maior que o valor sacado e que por isso não vão devolver o cartão, pois o indígena continua o devendo.

As lideranças indígenas já descobriram casos em que as pessoas que retém os cartões estão fazendo empréstimos em nome dos indígenas.

“Há comprovação de que em anos anteriores foi retirado dentro da Previdência Social do INSS extratos que comprovavam que pessoas que estavam em pose do cartão desses indígenas tenham feito vários empréstimos em um banco e quando o indígena vem para cidade o comerciante vende o produto do valor que ele quer, da quantidade que ele quer e o indígena nunca quita a dívida com aquele comercio”, relatou Ninawa Huni Kui.

No final do mês passado, a Polícia Federal prendeu uma vereadora e o marido que são comerciantes em Feijó e estavam de pose de vários cartões do INSS de indígenas.

Em todo o interior do Acre esse tipo de crime é comum, os indígenas vem das aldeias para receber o dinheiro da aposentadoria e do Bolsa Família na cidade, mas não procuram as agências, eles seguem direto ao comerciante que ficou com seu cartão.

No comércio, o indígena pega os produtos que necessita e volta para a aldeia com o saldo devedor. Em diversas ocasiões não sobra dinheiro para comprar o combustível do barco e voltar para aldeia, por isso alguns indígenas ficam vários meses vivendo nos barrancos da cidade até conseguir combustível para o barco.

“Essas pessoas, esses aposentados eles passam por dificuldades financeiras por terem os cartões retidos”, informou Ninawa.

As lideranças indígenas querem mais fiscalização por parte da Polícia Federal, do INSS e da Funai ou uma alternativa para que os cartões fiquem nas mãos de seus proprietários, sem a ação dos órgãos públicos fica fácil para os comerciantes praticarem esse tipo de crime que vem se arrastando há décadas.

Informações de Adailson Oliveira para TV Gazeta.

Foto: TV Gazeta.

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