Polícia Civil realiza busca por lixo tóxico em aterro na Transacreana

Prefeitura teria ordenado despejo de material radioativo

Segundo a Polícia Civil, pelo menos oito cargas de materiais radioativos foram despejadas no aterro da rodovia Transacreana, para serem aterrados. O fato aconteceu no final de 2020, e os indícios apontam que foi a própria Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Zeladoria, que ordenou o despejo desses materiais no aterro.

Esta situação se caracteriza como crime ambiental, no entanto, não existe no Estado uma delegacia especializada na área, por isso o caso foi registrado na primeira regional da Polícia Civil e o delegado Judson Barros é o responsável pela investigação.

“O que menos importa para gente é em que gestão foi, temos notícia de que foi no final do ano passado, as providências serão tomadas independentemente de quem tenha mandado quem tenha autorizado ou qual gestão foi” afirmou o delegado.

A denúncia partiu de um servidor da Prefeitura de Rio Branco, que registrou um Boletim de Ocorrência.

“Foi instaurado um inquérito policial e nós já viemos aqui na quarta-feira (7), tomar as primeiras providencias. Nos certificamos que de fato esse material foi enterrado, pelo menos umas oito carradas desse material. São lâmpadas, reatores, que foram enterrados aqui no lixão. Viemos hoje com um perito, com uma equipe da delegacia, os agentes, representantes da Prefeitura, o administrador do lixão para que a gente torne essas providencias. Vamos pegar o material, desenterrar e da a destinação correta” declarou Judson Barros, delegado de Polícia Civil.

Lixo encontrado no aterro (Foto: TV Gazeta)

Nesta fase do inquérito, a polícia pretende recuperar os objetos radioativos que foram aterrados, com o objetivo de evitar maiores danos ao meio ambiente. A investigação apurou que as empresas fabricantes desses materiais é que deveriam providenciar o descarte adequado.

“Esse material deveria ter sido entregue para empresa que produz esse material e não enterrado. Nós vamos encontrar esse material e dá a destinação correta para ele” disse o delegado.

Quando a Polícia Civil chegou ao lixão na manhã desta quinta-feira (8), o próprio administrador do local indicou onde os objetos foram aterrados. Durante a manhã desta segunda-feira, os policiais escavaram uma extensão de 25 metros com 3 metros de profundidade para procurar esses objetos. No entanto, todo o material radioativo que foi aterrado não foi encontrado, por isso, as buscas devem continuar.

O perito de Polícia Civil, Thiago Martins afirma que mesmo com o pouco material encontrado é possível ter certeza que se trata de material tóxico.

“Inicialmente viemos dá uma olhada porque o material era de grande quantidade, talvez esse não seja o local, pois achamos em pouca quantidade, só que realmente se trata de material tóxico que não poderia estar sendo aterrado. São materiais de iluminação, principalmente as lâmpadas, a gente coletou diversas amostras para fazer a análise dos componentes e saber a gravidade da situação”, informou o perito.

De acordo com o perito, esses materiais radioativos aterrados no lixão de Rio Branco, podem acelerar a combustão gerando a infiltração de resíduos e a contaminação de águas subterrâneas.

“Quando o material é aterrado aquece muito o solo e acontece a combustão espontânea. Infelizmente a gente vê essa situação aqui. O material tóxico em um condução dessa vai se lixiviar todo para os corpos d’água. A capacitação de água é próximo daqui, o abastecimento de água da cidade pode está sendo contaminado. É preciso um exame mais complexo para gente saber”, afirmou Thiago Martins, perito de Polícia Civil.

A equipe da TV Gazeta fez contato com a Secretaria de Zeladoria do Município, que foi da onde partiu a denuncia deste crime ambiental, porém a gestão atual não quis se pronunciar sobre as buscas realizadas nesta quinta-feira (8).

Informações de Aline Rocha para TV Gazeta. (Fotos: TV Gazeta).

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