Banner ex-viciado

“Por causa das drogas, perdi tudo que tinha em quatro anos”, revela ex-dependente

O ano era 2009. Por influência de amigos, Jonas Gomes teve o primeiro contato com as drogas. Depois ter bebido bastante, ele foi apresentado à cocaína. Foram necessários 15 minutos para o pó branco fazer efeito e mudar completamente a história dele.

Em questão de dias, Jonas era mais um viciado. Naquela época, ele morava em Brasileia. O entorpecente era comprado, muitas vezes, na Bolívia por ser considerado ‘puro’. “Com o tempo, a cocaína não fazia mais efeito. Precisava de algo mais pesado para sentir a ‘lombra'”, revela.

A partir de então, Jonas começou a utilizar crack. Uma das mais poderosas e devastadoras drogas. O efeito é questão poucos segundos. “Achava que todo mundo ia me matar”, lembra. Com o emprego que havia conseguido no governo estadual, Jonas conseguiu comprar uma casa.

Cada vez mais dominado pela droga, ele abandonou tudo e ao mesmo tempo que consumia, também era consumido pelo crack. Sem dinheiro para alimentar o vício, Jonas começa a vender os móveis da casa. Foram necessário apenas alguns meses para esvaziar todos os cômodos. Ao final, um pedaço de papelão(que servia como colchão) era o que tinha sobrado.

O homem que pesava 77 quilos chegou aos 48 quilos. “A droga tira toda a fome. Eu tomava apenas um caldo”, conta. Agora sem ter o que vender, ele decide conseguir dinheiro com os pais. Cada negativa que levava, Jonas ficava enfurecido e ofendia com palavrões. Até que ele chegou ao fundo do poço.

Jonas enxergou no roubo outra alternativa para alimentar o vício. Nos empregos temporários que arrumava, o homem aproveitava para cometer pequenos furtos. Até que um dia, ele decide assaltar um senhor na rua. A tentativa frustrada rendeu prisão e tranferência para a penitenciária de Rio Branco.

“Se existe o inferno, lá é o inferno”, compara. A pena recebida pelo crime: o juiz entendeu que a melhor alternativa era procurar tratamento para a dependência química. Ele é encaminhado ao centro de recuperação Caminho de Luz. Jonas afirma que a libertação veio com o chá da ayhuasca, planta nativa da amazônia e utilizava pelos internos.

Nova vida

O interesse pelo lado social fez Jonas Gomes se destacar em Brasileia. Ele começou a trabalhar no governo estadual como office boy. Ganhou confiança pelo trabalho desenvolvido e logo depois se tornaria conselheiro da juventude do Alto Acre. No cargo, participou de eventos em vários estados do país.

Também foi um dos responsáveis pela implantação dos centros da juventude nos cinco municípios da região. Jonas é homossexual. Em 2004, a então Beatriz Brasil, nome que usava, foi eleita a rainha gay do carnaval de Rio Branco. Além disso, venceu o concurso de miss Acre gay.

“O que tanto temia quando era conselheiro aconteceu. Combatia o uso de drogas e acabei caindo nessa”, expõe. No centro de recuperção há seis meses, Jonas acredita que está pronto para começar de novo. A primeira oportunidade já apareceu. O homem recebeu uma proposta para trabalhar como educador de trânsito do Detran.

Chance que ele agarrou com todas as forças. Jonas afirmou estar decidido a recuperar o tempo que perdeu para as drogas. O  maior objetivo é voltar ao cargo de conselheiro da juventude e lutar pela instalação de casas de recuperação no Alto Acre.

“Coma droga, fui ao fundo do poço. Não desejo esta vida para ninguém. Nunca tenha a curiosidade de experimentar”, expressou. E por onde vai, esta é a mensagem que ele passa. Para Jonas, o dia em que a droga for liberada, o negócio não vai ser tão lucrativo e assim, outras pessoas não serão consumidas por aquilo que é considerado o mal do século 21.

Deixe uma resposta