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Prêmio Nobel discute mudanças climáticas

 Philip Fearnside, do Inpa, palestrou para estudantes na Ufac

Uma plateia formada por duzentas pessoas lotou a sala ambiente do curso de economia da Universidade Federal do Acre (Ufac) onde acontece a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Discutindo um tema super atual, a mesa redonda “Mudanças climáticas, as enchentes do rio madeira e a gestão de risco na Amazônia” trouxe ao Acre o renomado cientista especializado em climatologia, Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus.

Um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz de 2007, o francês radicado no Brasil há 40 anos dedica boa parte do seu tempo a alertar a humanidade sobre os riscos crescentes de catástrofes climáticas. Com o sotaque ainda carregado e bom humor peculiar, Philip descontraiu. “Já trouxe aqui na minha apresentação os parceiros [logos] que me mantém. Vejam que não há nenhuma empresa, tampouco hidrelétricas”, disse levando às gargalhadas o público que a essa altura já tomava o chão da sala e já possuía em mãos o CD distribuído por ele próprio com uma série de seus estudos sobre aquecimento global.

De posse de 40 minutos, tempo reservado pela organização da SBPC, o cientista passeou por esses estudos concentrando-se no tema “Hidrelétricas amazônicas e mudanças climáticas”. Apresentando dados retirados de estudos científicos e outros disponibilizados por fontes oficiais e consórcios envolvidos, Fearnside demonstrou a relação entre hidrelétricas e a emissão de gás metano, um dos principais causadores do efeito estufa. “Quem defende, diz que a emissão é menor que a que realmente demonstramos e para isso apresentam dados parciais e exemplos que não correspondem a experiências da Amazônia”, contrapôs. “Não temos mais 100 anos para por em prática soluções, precisamos fazer alguma em 20 anos, ora”.

Pelos estudos do cientista, a implantação de grandes hidrelétricas em cidades Amazônicas – Tucuruí e Belo Monte (Pará) e Santo Antônio (Rondônia) – podem ser apontadas como parte responsável por fenômenos climáticos como secas e enchentes testemunhadas recentemente na Amazônia e tratadas pela primeira debatedora da mesa redonda, a diretora executiva da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Vera Reis que tratou das implicações da enchente do rio madeira que isolou o Acre no primeiro semestre deste ano.

“Foram dez dias de interdição da BR-364 e 60 dias de isolamento do Estado o que nos levou ao estado de calamidade pública, em abril”, disse Vera mostrando fotos da época. A cheia provocou desabastecimento de artigos de primeira necessidade vindos da região sudeste do país e combustível. A média de veículos que transitavam pela rodovia caiu de 7700 no mês de abril para 605, em março. “O ciclo hidrológico está mudando. Essa climatologia de 30 anos já não bate mais. Ora duplica, ora divide. Conclusão, nós precisamos pensar novos paradigmas e por isso convidamos o maior número possível de estudiosos e pesquisadores para nos ajudar”, salientou Reis.

FONTE: Ascom/Ufac

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