211016-policia-luanacampos-tvgazeta

“A situação nunca esteve tão tensa”, constata Luana Campos

Juíza entende que Papudinha está sem controle

Com as novas ameaças das facções criminosas de invadir o presídio da Papudinha o retorno das execuções em série na cidade, a juíza da Vara de Execuções Penais, Luana Campos, declarou que a situação do sistema prisional no Acre está incontrolável.

Em outubro desse ano, uma briga entre membros de facções trouxe terror aos presos do presídio da Papudinha. Homens fortemente armados tentaram invadir o complexo. Não conseguiram por causa da ação dos agentes penitenciários. Dois detentos saíram feridos.

Dois meses depois, a Papudinha ainda é alvo da guerra entre os criminosos. Desde outubro, 98 detentos deixaram de cumprir pena e hoje são foragidos. As faltas têm um motivo: eles estão na lista para morrer.

Há duas semanas, as facções prometem novos ataques ao complexo que é desprovido de segurança. Na sexta-feira passada, 80 detentos faltaram: havia a ameaça de nova invasão.

No sábado, a Vara de Execuções Penais liberou os presos. Eles podiam ficar em casa. Nessa segunda-feira, eles vão ter que retornar. Com medo, eles correram na manhã dessa segunda – feira, para o gabinete da Juíza Luana Campos. A magistrada informou que pouco pode se fazer sem recursos. “Não existe outro local para abrigá-los. A situação nunca esteve tão tensa”, declarou.

As marcas das facções vão aparecendo na periferia da cidade. Foram cinco execuções nesse final de semana. Dois mortos eram adolescentes.

Terror mesmo são imagens de um grupo decepando os membros de um homem. A cabeça é separada do corpo e mostrada como troféu. No vídeo, um dos assassinos, que se diz do Bonde dos 13, pede para retirar o coração da vítima.

Por enquanto, foi informado inicialmente que a vitima chamava-se “Evilásio”, estava no regime semiaberto, e, era, um dos detentos que pernoitava na Papudinha. Mas, depois, a Polícia confirmou que o corpo é de Gabriel Nunes da Silva.

A juíza Luana Campos chegou a dizer que a Papudinha não tem mais condições de abrigar os presos do semiaberto. A magistrada vai propor ao Governo do Estado que recupera uma ala onde ficava as mulheres no presídio Francisco de Oliveira Conde.
O detento que não conseguir emprego não vai mais poder ficar em casa, deverá passar período integral no presídio onde é mais seguro.

 

O secretário de Estado de Segurança Pública, Emylson Farias, informou que está buscando uma saída. Junto com o serviço de inteligência da polícia, pretende reduzir a ação das facções nos presídios.

 

A segurança interna foi reforçada. “Não estamos descartando que uma das medidas que podemos tomar é enviar esses líderes de facções para presídios fora do estado”, alertou.

 

O governador Tião Viana também falou sobre a crise nos presídios. Convocou Ministério Público, Judiciário e o Legislativo a ajudar no combate aos crimes. “Todos precisam ajudar nesse momento, apresentando alternativas viáveis para o problema”, disse.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*