Acreana acusa cirurgião plástico boliviano de assédio sexual

Ela o procurou para realizar um sonho, que era o implante de silicone, porém se tornou um pesadelo

Uma mulher de 30 anos que não quis se identificar por medo de retaliação, diz ter sofrido assédio sexual por um médico cirurgião plástico, chamado Carlos Lino, na Bolívia. Ela o procurou para realizar um sonho, que era o implante de silicone, porém se tornou um pesadelo.

Ela conta que a primeira vez que entrou na sala do médico, a ajudante dele também estava, em seguida ele pediu que a mulher tirasse a blusa, e após isso, solicitou que a sua auxiliar se retirasse da sala.

“Ele falou pra eu tirar minha calça, aí eu falei “mas por que, o que o peito tem haver com tirar a calça?”, então ele disse que tinha que avaliar o perfil completo de altura. Como eu fiquei um pouco distante, ele me puxou para mais perto do corpo dele e ficou se esfregando em mim. Então percebi que ele estava excitado”, conta a mulher.

Neste momento, ela afirma que pegou suas coisas para sair da sala do médico. “Em seguida ele foi tirando o pênis pra fora do zíper da calça, aí falei para ele que eu não queria aquilo, e sim queria ir embora. Então ele disse que tudo bem. Fui pegando minhas coisas para eu me vestir, aí me sentei para pegar meus óculos, e ele foi inclinando minha cabeça para eu fazer um sexo oral nele”, detalha a paciente.

A mulher lembra que ficou paralisada, e em choque, e que não conseguiu reagir de forma violenta. Segundo ela, o medo por estar em um país estranho bloqueou qualquer reação possível.

“Eu fiquei paralisada, eu me sinto um pouco tapada por eu me sentir paralisada, nunca tinha acontecido uma coisa dessas comigo, fiquei sem reação”, afirma a vítima.

Quando voltou ao Brasil, o marido percebeu algo errado. Foram dois dias de muitas conversas, até que ela contou tudo para a família.

“Passou muita coisa na minha cabeça, tanto é que fiquei meio atordoado, sem entender a proporção do que aconteceu. Então decidimos que isso não poderia ocorrer com mais nenhuma mulher”, conta o marido da vítima.

Então o companheiro tomou a frente da situação. Eles registraram um boletim de ocorrência na Delegacia de Flagrantes (Defla), e em seguida, ela foi ouvida na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).

“A gente está tentando ver alguma solução diplomática, conversar com o pessoal Itamaraty, estamos contando com a nossa advogada para tentar criar uma solução”, acrescenta o marido.

“Ele falou que eu estou extorquindo, que eu quero dinheiro, porém não passou na minha cabeça querer dinheiro, essas coisas, o que eu quero mesmo é provar que eu estou falando a verdade, e que ele não faça isso com mais ninguém”, salienta a mulher.

O casal nos repassou “prints” das conversas com o médico. E em uma delas, ele diz que daqui a seis meses a paciente pode retornar para aumentar a prótese, e que ele não irá cobrar nada por isso. Na outra, orienta ela a falar para a secretária dele que em 15 dias irá mandar o dinheiro para outro procedimento. Mas era só para ela saber, porque o resto seria segredo.

Como o crime ocorreu em outro país, o Conselho Regional de Medicina (CRM-AC), fica impedido de intervir. O caso já é de conhecimento da assessoria jurídica, que orienta cuidado ao tomar a decisão de realizar procedimento fora do Brasil.

“Quando um paciente procura outro país para realizar esse tipo de procedimento, ele fica plenamente vulnerável, pois aqui no Brasil nós temos a participação fiscalizatória dos conselhos regionais de medicina, nós temos as leis brasileiras, nós temos o Ministério Público, entre outros que podem tomar a medida, temos também a polícia civil e a polícia federal”, afirmou Mário Rosas, assessor jurídico do CRM-AC.

“Eu me arrependi tanto que o barato realmente saiu caro. Já tive noites de dormir e sonhar com ele em cima de mim, então eu não voltaria mais para lá. Nem de graça eu quero”, concluiu a vítima.

Com informações de Débora Ribeiro

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