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Após um ano, Operação Lares mostra-se ineficaz

Compradores de imóveis sob suspeição voltaram

Há um ano, após estourar o escândalo de vendas de casas populares na Sehab, a Polícia Civil cumpria uma difícil tarefa: retirar do Conjunto Habitacional Rui Lino III, famílias que invadiram as unidades habitacionais que estavam interditadas pela Justiça.

Hoje, a situação continua crítica. Alguns dos envolvidos nas compras das unidades voltaram a morar nas casas que compraram, e outros imóveis abandonados estão sendo depredados, saqueados e servindo de abrigo aos marginais.

O dia 20 de maio foi sinônimo de desespero e revolta para algumas famílias que arriscaram invadir casas no Conjunto Habitacional Rui Lino III. A polícia teve que usar a força, em alguns momentos para retirar pessoas das casas, que estavam interditadas pelo poder judiciário.

O cumprimento de ordem judicial foi marcado por protestos dos populares que acompanharam de perto.

A Operação Lares em sua terceira fase determinou a saída dos moradores que supostamente participaram do esquema de compra ilegal de casas populares. Cada residência era vendida pelos operadores, por valores entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.

As 37 casas desocupadas pela justiça sofreram saques e até depredações. O fato de algumas perderem portas e fechaduras ajudou na invasão.

Com várias ações tramitando na Justiça, muitas unidades foram entregues ao abandono. Algumas, que ganharam estrutura mais nobre, por seus moradores, já foram ocupadas novamente. Segundo vizinhos, as mesmas pessoas que supostamente compraram os imóveis no esquema estariam morando nas unidades novamente.

Mas, por quase todas as quadras da região, é possível ver casas sem portas, janelas e desaparecendo através do mato.

O projeto que nasceu com a proposta de garantir mais conforto social, nesse momento causa preocupação dos moradores quanto a segurança. Muitos quintais viraram depósito de lixo, as casas foram saqueadas, perdendo portas, forro e até telhas. Segundo a polícia, marginais estariam usando as casas abandonadas até para guardar objetos de furto, ocorridos dentro da própria comunidade.

“Muita gente tá precisando, tá no aluguel social, precisando. Gente que fez inscrição, foi sorteada e não ganhou e aí, um monte de casa abandonada”, relata moradora que pediu pra não se identificar”.

A moradora (que pediu para não ser identificada) afirma que a falta de segurança se instalou na região, por conta da inércia do poder público e da corrupção. A comunidade pede manutenção do conjunto e agilidade da justiça para que os imóveis abandonados tenham destinação.

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